Blog Désir Atelier

Conto Lésbico

Eles já flertavam há muito tempo. Sempre que Vanessa passava por ali, colocava um olhar discreto sobre ele. Às vezes, parava e olhava outros ao seu redor espiando se alguém a observava. Normalmente não tinha. Ela era só mais uma naquele vai-e-vem agitado e corrido no hall do prédio onde trabalhava. Já tinha pegado, devolvido e deixado outros livros ali. Tinha receio que algum colega a visse pegando um livro erótico, e isso circulasse pela rádio-corredor e levantasse maus olhares ou olhares indesejáveis para si. Mas era inevitável trocar olhares com os mamilos expostos na capa do livro Delta Venus: Histórias Eróticas da Anais Nin. Imaginava se alguém já tinha tido coragem de pegá-lo depois que foi colocado ali. Acreditava que não, pois nunca dera falta dele.

O excesso de trabalho fez Vanessa pular o almoço, engolir a tarde de uma vez só e esticar a noite de terça até tarde. Foi a última a sair do escritório. Já passava das 22h.

Pediu seu carro de aplicativo ainda no escritório, antes de descer os nove andares de elevador. Saiu correndo pelo hall para encontrar o carro que estava a dois minutos de distância. Mas o motorista cancelou. Voltou para o hall então enquanto esperava outro motorista aceitar sua corrida. Olhava sem parar para o relógio e já podia ouvir sua barriga roncar. Abriu o aplicativo de comida para já ir vendo o que iria comer quando chegasse em casa e já adiantar o pedido. Respirou fundo deslizando a tela para baixo. A respiração foi ficando mais calma, tinha que esperar o carro que estava a sete minutos de distância.

Percebeu o silêncio e o vazio no normalmente movimentado hall. E então olhou para a estante que guardava a troca de livros.

Não hesitou um segundo.

Andou em sua direção e o colocou dentro da bolsa. A apertou firme entre o braço e o tronco. Parecia estar roubando algo, mas não estava.

Quando chegou em casa, foi tomar um banho, que foi interrompido pelo interfone que tocava com a chegada da comida. Saiu ainda com xampu na cabeça e molhada para atender. Pediu que deixasse na portaria e que em breve iria buscá-la. Voltou ao banho, sem pressa. Como havia pedido um poke, não tinha risco de esfriar.

Sentou-se para comer com um pé sobre a cadeira e outro no chão. O bowl ficava um pouco à esquerda do seu corpo que estava inclinado para a direita, virado para o livro. Vanessa leu trechos aleatórios de algumas páginas para ver, mas estava cansada demais para dar atenção e logo foi dormir.

Nos dias que se sucederam, Vênus ficou esquecida, esticada sobre a cabeceira de Vanessa. Aquele corpo e mamilos, antes tão desejados, foram ofuscados pela semana exaustiva de trabalho. Vanessa chegava tarde, comia e ia dormir quase imediatamente.

Mas não passou despercebida do tédio de domingo à noite.

Vanessa pegou o livro e começou a lê-lo. O primeiro conto do aventureiro húngaro a prendeu. Se surpreendeu com o estilo de escrita, imaginava algo totalmente diferente. Foi o suficiente para aquecer sua pele e despertar seu interesse. E foi no conto seguinte, ‘Mathilde’, que entrou em chamas. Mathilde explorava suas fantasias e ia além de tudo que Vanessa já tinha feito.

Ela foi comendo o livro página por página até ver que havia devorado mais de 100 páginas e o relógio se aproximava da meia-noite. Marcou a página em que havia parado, e o colocou de lado. Virou-se para um lado, depois para o outro. Não conseguia dormir. Seu corpo em chamas estava acelerado demais.

Vanessa desceu suas mãos inocentemente para sentir sua vulva, fingindo não saber. Tocou-a babada e quente. Voltou com os dedos à boca e depois novamente entre as pernas. Começou a mover o quadril se tocando, mexeu os pés agitadamente para se descobrir e depois tirou a camisola. Se empolgou no seu próprio toque. Abriu a gaveta rapidamente, pegou o Triumph e colocou a linguinha na buceta. Para cima e para baixo, o vibrador bagunçava o seu sexo. Sua mão comprimia seu peito contra si. Trocou a linguinha pelo sugador no clitóris. E sua cama ficou toda molhada rapidamente. Suas pernas tremeram, sentiu sua pele resfriar conforme seu peito enchia e esvaziava. Foi até a cozinha e pegou um copo d’água para beber.

Na segunda, deitou-se na cama com vontade de ler todo o livro de uma vez. Mas foi confrontada pelo sentimento de querer prolongar as sensações causadas pela escrita de Anais Nin. Decidiu ler um conto por dia. E dependendo como fosse, se masturbaria ao fim. Nessa noite, terminou se tocando bem devagarinho com a Varinha Misty. Penetrava a si mesma enquanto lia. Esse conto era o maior com quase oitenta páginas. Se desafiou a imaginar à vontade e segurar o orgasmo até onde conseguisse. E conseguiu muito. Só no fim na escalada chegou ao cume do prazer, ficando mole estirada na cama.

Os dois contos seguintes foram apenas lidos. Sem um final feliz, ou melhor, molhado. Na quinta, a masturbação deu as caras de novo, assim como na sexta.

No sábado, leu à tarde. Tinha planejado sair com as amigas para um bar. O conto era rápido e nem deu tempo de fantasiar muito. Quando virou a última página, viu um número anotado junto com a mensagem: ‘Me liga para contar o que achou! Beijos!’.

De alguma forma, Vanessa sentiu que aquele recado era para ela. Não sabia se era uma mensagem do último a ter usado ou do primeiro usuário. A tensão de pegar o livro voltou ao seu corpo. Tentou imaginar quem poderia ser.

Adicionou o número aos seus contatos. Nenhuma foto apareceu. O nome aparecia apenas como um til e um emoji. Não sabia quem era. Mandou um ‘oi’ simples e largou o celular. Foi beber um gole d’água correndo e voltou. Esperou para ver se o sinal ficaria azul, mas nem sabia se a outra pessoa tinha isso.

Borboletas voaram pela sua barriga. O ar pareceu escasso naqueles segundos e minutos.

Decidiu apagar.

Por que contaria para uma pessoa o que achou do livro?

Apagar a mensagem não resolveu o misto de sensações que sentia. Ela era curiosa e estava entre quatro paredes. Queria saber quem havia dado o livro e porque queria saber o que outra pessoa achou. Se culpou por ter mandado uma mensagem sem ter um plano do que falar para a pessoa. O que fazer após a resposta? Até apagou o contato do seu celular.

Dez minutos depois seu telefone tocou. A tensão voltou ao seu corpo. Teve medo de quem seria do outro lado.

Uma voz feminina do outro lado da linha respondeu seu alô.

– Oi, vi sua mensagem no Whatsapp. Me ligou? – perguntou fazendo Vanessa ficar aliviada com sua voz.

– É, sim – as palavras secaram na sua boca – mas mandei sem querer. Deixa pra lá – continuou e desligou.

Seu coração acelerou. Parecia ter sido flagrada. Mas ficou mais tranquila de saber que era uma mulher do outro lado da linha. Olhou novamente para o livro e mandou duas fotos, uma da capa dele e outra da mensagem no fim com a legenda: ‘foi você quem escreveu isso?’.

Seu telefone tocou novamente.

– Alô – atendeu.

– Ah, você queria falar sobre o livro. Fui eu que escrevi sim. Onde você pegou esse livro? Eu escrevi isso há uns três anos – contou rindo a mulher do outro lado da linha.

– Peguei no meu trabalho. Tem um ponto lá para pegar e dar livros de graça – contou timidamente Vanessa esperando que a mulher conduzisse o assunto.

– Nossa! Então já deve ter rodada bastante. Você é a quarta mulher que me liga. Graças a Deus nenhum homem me ligou ainda. E o que achou do livro?

– Achei bom – respondeu seca.

– Só isso? Não teve nada que gostou mais ou menos?

– Eu nunca tinha lido um livro assim. Então não tenho muito como comparar.

– Mas achou excitante? Teve fantasias? – perguntou a voz do outro lado da linha.

Vanessa emudeceu. Dava para ouvir sua respiração. Ela olhou para o livro, para suas pernas, passou a ponta dos dedos nas coxas…

– Alô? Você não teve sonhos molhados depois de lê-lo? Não fantasiou orgias, ménages, masturbações? Lembro que quando eu li, despertei vários desejos em mim. Alguns contos eu li mais de uma vez. Até então, eu era quase uma santinha. Eu era muito jovem.

– Quantos anos você tem agora?

– Isso não faz diferença – respondeu cheia de confiança a mulher.

– Hm – suspirou.

– Eu dei o livro, mas tirei xerox de um dos contos para que eu pudesse ler sempre que quisesse. Consegue adivinhar qual?

Vanessa abriu o livro para olhar o nome dos contos.

– Elena.

– Eu poderia dizer que acertou, mas não.

– Eu preciso sair, foi bom falar com você. Tchau.

– Ok. Tchau – a mulher desligou.

Vanessa manteve o telefone no ouvido até perceber que a ligação tinha acabado.

Viu que estava quase na hora de sair. Resolveu tomar um banho frio porque suava. Se arrumou rapidamente e foi encontrar as amigas.

Aérea e tensa entre as amigas, Vanessa sentiu seu celular vibrar.

Era uma foto de visualização única da mulher.

Decidiu não abrir. Ficou com medo do que era e deixou para abrir em casa.

Mas isso não a impediu de pensar nisso durante o resto da noite. Cogitou abrir escondida com pouco brilho na mesa com as amigas, mas ficou com medo de perder algo ou ser flagrada. Foi ao banheiro sem ter vontade de fazer nada a não ser abrir a foto. Olhou para a tela, mas desistiu. Não era num banheiro de um bar que se sentiria à vontade. Em meio ao público, seu pensamento era privado. Quando as amigas perguntavam, dizia que eram coisas do trabalho. Para essa noite especialmente quente, não acompanhou as outras no vinho. Refrescou-se com três caipirinhas.

Quando chegou em casa, correu para a cama e abriu. Era a foto do conto Linda acompanhado de uma taça de vinho.

Sentiu-se aliviada, mas tola por ter ficado tão tensa para só isso. Descobriu que desejava ver mais.

O álcool, a curiosidade e o tesão circulavam pelo seu corpo. Lembrou-se das fantasias dos contos.

– Leu de novo? – perguntou à mulher.

Mas ela não respondeu.

Ligou mais uma vez para Vanessa, que atendeu rapidamente.

– Sim, eu reli – falou em tom baixo.

– E o que achou? Esse é o seu preferido então?

– Acho excitante demais. Linda vive os desejos de forma plena, é livre, não reprime suas fantasias. E com isso eu me identifico.

– Você achou excitante? – perguntou Vanessa.

– Muito! Você não?

Vanessa se lembrou que havia se tocado após ler esse conto, mas não respondeu.

– Você não ficou excitada? – insistiu a mulher. Sua voz parecia mais firme.

– Fiquei – respondeu a seco.

– Eu estou excitada agora, inclusive – provocou a mulher.

– Por quê? Está lendo agora?

– Não, mas ouvindo sua voz lembrei dele e me excitei – era o que Vanessa queria ouvir.

– Hmm – soltou Vanessa junto com um sorrisinho safado na cama.

– Fiquei pensando em como você seria. Como você é?

Vanessa começou a falar do seu cabelo, peitos, altura.

– Não, não quero saber isso. Quero saber como você é. Safada, tímida, extravagante, dominante.

Vanessa tremeu. Nunca tinha pensado assim sobre si. Talvez não conseguisse responder à pergunta da mulher.

– Acho que sou safada, mas só na cama. Tenho dificuldade de me soltar às vezes.

– E você está excitada agora? – perguntou a mulher.

Vanessa demorou, mas respondeu.

– Curiosa.

– Curiosa? Só? Se solta…- provocou a mulher – já beijou alguma mulher?

– Só de brincadeira.

– E já se imaginou beijando mulher?

– Sim.

– Então imagina agora. Imagina que está me beijando.

Vanessa deixou o corpo escorregar na cama até se deitar e suspirou.

– Você se deitou? – perguntou a mulher.

– Sim, como você sabe? – estranhou.

– Ouvi o barulho da cama. Se está deitada, imagina que estou por cima de você. Que te beijo na boca e colo meu corpo ao seu.

A respiração de Vanessa começou a ficar pesada.

– Pode botar o celular no viva-voz na cama.

Vanessa obedeceu.

– Imagine que estou te beijando e passando a mão pelo seu corpo. Sentindo sua pele pela primeira vez. Seu corpo se arrepia com meu toque leve.

Vanessa riu, pois já estava arrepiada. Passava os próprios dedos por si.

– Espero que já esteja pelada.

– Já estou – Vanessa mentiu se levantando rápido da cama para se despir num golpe só.

– Imagine meus lábios passeando despretensiosamente pelo seu corpo, como se não tivesse um destino a seguir. Estou cuidando de cada centímetro do seu corpo. Posso ver sua barriga subir e descer com a sua respiração tensa e excitante e colo meu rosto nela para ir deslizando a ponta do meu nariz até a sua buceta. Sinto seu calor. Quase posso sentir sua libido. Você tem vibrador com você?

A ligação ficou em silêncio. Vanessa estava de olhos fechados com a ponta do dedo no clitóris e se esqueceu de responder.

– Alô?

– Estou aqui. Tenho vibrador.

– Pegue o que não usa há mais tempo. Ou o que nunca usou.

Vanessa pegou o Eclipse.

– Me conte como ele é.

– Ele tem sucção e penetração.

– Bota a sucção no seu clitóris. Bem devagar. Eu começo te chupando devagar. Minha língua sobe e percorre todo o rio que escorre entre suas pernas. Ainda nado por essas águas. Pode aumentar um pouco. Estou pronta para me afogar no seu prazer. Minha língua se debate entre seus lábios, busca seu clitóris.

Vanessa aumentou a vibração e começou a gemer. A mulher retribuiu com um gemido.

– Acho que agora está excitada. Está brincando com seus peitos? Porque eu estou. Eu te chupo e sinto seus peitos na concha das minhas mãos. Te chupo com intensidade, mas sem te conduzir ao orgasmo. Como uma caça de gato e rato. Chego perto, mas não te libero. Você pede para eu te chupar mais. Você quer gozar. Sabe que está por pouco do orgasmo. Mas eu beijo sua buceta sem pressa. Você empurra meus dedos para te penetrar. E eu permito bem devagar. Eles se aproximam da entrada da sua buceta. Eu brinco com a entrada dela. E então te penetro com eles.

Nessa hora, a mulher nem precisou dizer: Vanessa ligou a parte que penetrava.

A vibração arrancou gemidos de Vanessa. Ela gemeu mais. Seu corpo se mexia automaticamente.

– Você tenta se mover. Mas eu te possuo. Te domino. Seguro seu corpo e não deixo seu clitóris escapar da minha língua. Te chupo e tremo o seu clitóris enquanto chamo seu orgasmo com os dedos. Você, pela primeira vez, agarra cabelos femininos entre as suas coxas e espreme meu rosto. Tenta me afogar no seu orgasmo. E então goza gostoso. Eu sinto seu prazer escorrendo pelo rosto.

Vanessa gozou. Suas pernas bambearam. Desligou o sugador e deixou apenas a penetração do Eclipse na sua buceta.

– É a sua primeira vez com uma mulher. Não pode acabar tão rápido. Eu vou te dominar por completo. Eu te viro de bruços e mordo seu pescoço.

Vanessa virou exatamente como ela falava.

– Eu arranho suas costas, abro suas coxas e toco sua buceta. Vou devagar. Sei que ainda se recupera. Mas não te dou muito tempo. Eu quero te ver explodir.

Vanessa voltou a ligar o sugador no clitóris.

– Eu sussurro no seu ouvido. Goza para mim, safada. Você quer gozar de novo. Eu passo a mão na minha buceta molhada e depois na sua boca. Você me sente fervendo sobre você. E eu te peço para gozar de novo. Você sabe como fazer.

Vanessa aumentou a vibração do Eclipse e não demorou a gozar mais uma vez.

– Acho que você gozou – cochichou a mulher.

– Aham, gozei – soltou Vanessa com um bafo de ar.

– Que delícia. Queria poder senti-la e tocá-la agora para ver como está.

– E por que não fazemos isso?

– Isso é assunto para outra hora. Por enquanto, fico feliz que tenha gozado o livro. Aliás, gostado do livro. Agora, tenho que ir. Beijos.

E o telefone desligou.

Vanessa pegou seu celular e salvou seu número novamente.

– Eu quero a outra hora – enviou risonha para a mulher antes de soltar o aparelho e permanecer mexendo vagamente as pernas pela cama.

 

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