Blog Désir Atelier

Conto Hétero

Nos dias seguintes, esse passou a ser o ritual de Berenice. Chegava em casa e lia as cartas de Chloe. Muitas vezes abria um vinho para acompanhar. O Deluxe só tinha dois lugares: ao seu lado ou carregando. Na internet, anúncios de sex shop começaram a aparecer para ela com mais frequência.

Ela decidiu continuar se descobrindo. Viu que situações e cartas diferentes pediam estímulos diferentes. E passou a comprar um vibrador atrás do outro. Iconic, Delight, Queen, Shine, Finger, Pulpi. Empilhou e espalhou vibradores pelo quarto.

Uma coisa sempre acontecia. Enquanto se olhava no espelho e lia as cartas, Olivier sempre surgia na sua mente. Às vezes, apenas por uns segundos, como se a beijasse no pescoço ou segurasse seu peito. Outras, por mais tempo. Imaginar chupar seu pau ou ser chupada por ele. E até mesmo que ele apenas a observasse se tocar pensando nele.

Planejou encontrá-lo no sábado. Levou numa bolsa croissants, baguetes e duas geleias, além de um suco e duas latas de refrigerante. Quando chegou ao antiquário, se deparou com Gerard arrumando algumas prateleiras.

– Bom dia, Gerard.

– Olha, não aceitamos devoluções – falou rindo e indo em direção à Berenice para abraçá-la – Como está, querida?

– Estou bem. Queria conversar algumas coisas com vocês sobre o espelho. O Olivier está aí também? – perguntou.

– Ele saiu, não sei que horas volta – respondeu Gerard puxando uma cadeira para a visitante.

Berenice soltou um som de compreensão enquanto seus ombros murcharam.

– Eu trouxe umas coisas para beliscarmos enquanto conversamos. E trouxe essas cartas aqui também, não sei se você sabia da existência delas – falou tirando as coisas da bolsa e botando sobre a mesa.

– Hmm – com os lábios fechados e balançando de um lado para o outro enquanto tentava ler o que tinha nas cartas.

Gerard se sentou e começou a ver o que tinha para comer enquanto Berenice olhava as cartas e começava a comentá-las.

– Nossa. Que grande visita. Não deixe Olivier saber que comi isso. Posso? – perguntou apontando para a lata de refrigerante.

– Claro. Mas olha, não vou devolver o espelho. Pelo contrário, gostei muito dele. Fiquei curiosa com essas cartas de Chloe que descreviam o ambiente e tal. Mas não sei nada dela. Gostaria de saber mais dela, de como ela era – explicou enquanto Gerard mastigava e bebia refrigerante.

Berenice esperou que ele terminasse que contasse mais sobre a dona do cabaré. Mas Gerard não se estendeu muito.

– Ela era uma boa chefe, uma mulher generosa – falou entre uma mordida e outra.

– Mas e como mulher, era bonita? Era atraente? – insistiu.

– Bom, eu era casado. Não ficava reparando muito nisso porque ela era minha chefe também. Poderia pegar mal. Ia perder o casamento e o emprego. Mas os homens a desejavam bastante. Faziam propostas para se deitar com ela, mas ela sempre recusava. Certa vez, um cantor ofereceu o que ela arrecadava em um ano, mas ela recusou. Disse que não era puta, apesar de admirá-las. E que não tinha o dom para transar, que suas funcionárias o satisfariam melhor. Não sei se eles eram atraídos pela sua beleza. Ela era bonita, tinha um cabelo longo e estava sempre elegante. Mas acho que o fetiche deles era foder com o dono do negócio, tinha algo da conquista também, pois ela nunca cedia, era forte, botava ordem em tudo. Se orgulhava de não precisar de seguranças no cabaré porque ela tomava conta e nunca permitiu uma briga ou assédio por lá. Não havia segunda chance. Se alguém desrespeitasse seus funcionários, nunca mais voltava.

– Entendi. E você sabia que ela escrevia sobre os sexos dos outros?

– Eu imaginava que ela fizesse algo do tipo. Só espero que nunca tenha escrito do meu – respondeu rindo.

Olivier entrou pela porta e se surpreendeu com a presença de Berenice na loja. A cumprimentou com um aperto de mão. Estava todo suado com o macacão de ciclismo e o capacete na mão. Berenice não se controlou e deixou seus olhos se encontrarem com o pau dele marcando na roupa.

– Bom, estão precisando de algo? Eu vou tomar um banho e já desço – avisou já subindo as escadas.

Gerard e Berenice seguiram conversando. Olivier se juntou ao assunto. Se mostrou surpreso com as cartas, não sabia delas, olhava para o pai na tentativa de descobrir se ele sabia ou não, mas não chegou a nenhuma conclusão. Pegou algumas e leu alguns trechos de cada.

– Bom, se estavam no espelho, acredito que sejam suas. Pode ficar com elas – falou Olivier.

– Ah sim, claro. Só me interessei mais pela história da Chloe e do cabaré. Vocês tinham dito que tudo aqui tinha uma história, só quis saber mais.

Depois de um silêncio na sala, Berenice resolveu despedir-se e ir embora.

Quando já saía pela porta, ouviu Gerard dizer.

– Obrigado pela visita. Adoramos saber mais dessa história.

À noite, na hora do seu ritual já sagrado, viu que ainda faltava usar um vibrador. O Boo by Désir ainda estava na caixa. Mas Berenice havia visto ele na seção de casal. Pegou na mão e ficou pensando.

Começou a ler a história, foi indo e na hora de usar, escolheu o Delight. Se deliciou com o conto. Gostava como Chloe sempre botava as prostitutas no comando. Apesar de estarem sendo pagas, elas dominavam as ações, a hora de ir para o quarto, de sair, de voltar, qual roupa usar e quais posições fazer. Se imaginou sendo fantasiada por Chloe. E pensou em si levando Olivier para o quarto. O Boo a via se derreter na cama e chegar ao pico do prazer com o Delight.

Sabia que era hora de ir além.

Na segunda, parou na loja na ida para o trabalho. Encontrou Olivier atendendo uma cliente e esperou. Sentiu ciúmes e tesão. Pensou se ela também teria ido ali por ele. Mas a compradora saiu com alguns pequenos quadros na mão e sumiu ao passar pela porta.

– Oii, bom dia – cumprimentou Berenice.

– Oi, tudo bom? Aconteceu alguma coisa?

– Não. Você gostou das cartas da Chloe? Já sabia dessas histórias?

– Confesso que não. Nem imaginava.

– Tem muita carta dela lá comigo. Quer ler mais? Não quer ir lá em casa hoje ler mais algumas cartas e separar algumas para você?

Olivier foi surpreendido pelo convite. Pensou, hesitou.

– Quero sim. Claro. Que horas?

– Eu saio do trabalho umas 18h. Eu passo aqui e vamos juntos. Pode ser?

Olivier concordou. Berenice não sabia mais o que dizer, então se despediu e foi embora.

Poderia dizer que ela passou o dia pensando nisso. Mas não foi só ela. Olivier foi timidamente falar com o pai que fecharia a loja duas horas mais cedo hoje que iria sair. Gerard havia ouvido a voz de Berenice pela manhã e sabia a razão do fechamento antecipado e só consentiu em silêncio.

Berenice surgiu às 18h05. Olivier já a esperava na porta. Os dois foram andando tentando conversar. Não tinham muito assunto além de um espelho e um cabaré que fechou há 20 anos. Tentaram falar do clima, do trabalho dela como arquiteta, de Gerard e até de ciclismo. Mas acabaram voltando ao assunto do cabaré logo antes de chegar em casa.

Olivier entrou e viu a casa mais arrumada que da outra vez.

– Vou pegar as cartas, já volto.

E voltou com papéis e mais papéis. Olivier se acomodou no sofá, Berenice lhe ofereceu um vinho. Serviu duas taças e passaram a ler juntos a mesma carta. Brincaram de imaginar como eram os personagens e contar um ao outro.

Divergiam quanto a cor do cabelo, altura, corpo e tudo mais dos personagens.

Riam dos próprios argumentos para justificar as próprias escolhas.

Quando suas taças se esvaziaram, foram juntos à cozinha pegar mais. Com as taças cheias, se olharam. Não dá para dizer quem avançou o primeiro centímetro. Mas suas bocas se colidiram em alta velocidade causando uma batida acelerada nos corações. Olivier a envolveu com o braço pela cintura. A desejava mais perto, apesar de não ser possível. Berenice invadiu a sua blusa e arranhou suas costas. Riram quando o beijo acabou. E voltaram a se beijar.

Deixaram a taça de lado e foram para a sala. Berenice jogou Olivier no sofá e depois se jogou em cima. Tirou a blusa e ficou apenas de sutiã. E então pensou que não queria transar ali.

– Espera aí, rapidinho. Quando eu te chamar, pode vir ao meu quarto – falou Berenice.

Ela saiu de cima dele, foi à cozinha pegar a taça dele de vinho e foi ao quarto. Lá, se arrumou. Vestiu uma lingerie, passou batom, deixou meia-luz e colocou uma música instrumental bem baixinho. Gritou chamando Olivier, mas não viu sua chegada. Caminhou até a sala e só deixou parte do corpo à mostra.

– Vem – fez com um dedo convocando-o.

Olivier levantou-se e foi em sua direção. Descobriu seu quimono preto transparente cobrindo uma lingerie também preta.

Quando chegaram ao quarto, viu o espelho que havia deixado ali alguns dias atrás. Mas não pôde olhar muito. Berenice o jogou na cama e subiu nele. Tirou sua blusa e beijou seu corpo. Deixou marcas de batom pelo peito dele, barriga até tirar sua calça. Viu sua cueca branca e a deixou também com duas bocas. Seu pau surgiu duro para fora. Berenice riu e olhou para ele.

– Hoje eu vou ser sua puta – falou já mergulhando de boca no seu pau.

Olivier soltou um suspiro de prazer e deixou o peso do corpo ainda maior sobre o colchão. Passava a mão no cabelo de Berenice e relaxava enquanto seu pau ficava babado e ainda mais duro. Os lábios vermelhos dela abraçavam seu pau.

Berenice escalou seu corpo e sentou-se ainda de calcinha sobre seu pau. Ele sentiu sua buceta quente enquanto ela deslizava para frente e para trás e tirava o kimono e o sutiã. Ela se jogou devagar para frente até seu seio chegar à boca de Olivier, que beijou seu mamilo com doçura. Ela se inclinou mais um pouco e fez com que ele chupasse com mais vigor.

Saiu de cima dele e tirou a calcinha bem devagar. Virou-se de costas para ele, de frente para Chloe, sorriu para si mesma no espelho enquanto via pelo reflexo Olivier admirar sua bunda.

Voltou para cima dele, mas agora num 69 molhado. Esfregou a buceta na sua cara enquanto mamava o pau dele se olhando no espelho. Seu tesão aumentava pensando em como Chloe relataria seu sexo. Chupou a cabeça do pau dele e brincou com as bolas. Olivier arranhava suas costas e chupava sua buceta. Sugava e balançava a língua no seu clitóris.

Gemeram forte. Parecia que gozariam ali mesmo. Mas mudaram de posição.

Berenice sentou-se no pau de Olivier e começou a rebolar. Suas bocas nada falavam, apenas riam e suspiravam e gemiam e beijavam. Ele apertava sua bunda. Provocava Berenice, chamava de puta gostosa e que voltaria sempre às suas ordens. Berenice pressionou o rosto dele contra seus peitos e gozou rebolando no seu pau.

Ele a virou e a jogou na cama. Beijou todo seu corpo e gastou muito tempo nas suas pernas, nas suas coxas, beijou seus pés delicadamente. Berenice esticou-se para pegar o Boo apoiado na cabeceira, o ligou e encaixou em si mesma.

– Vem, me fode, Olivier. Goza com a sua puta – provocou.

Olivier abriu suas pernas e a penetrou. Colocou as pernas dela esticadas em seu ombro e beijou seus pés e tornozelos tão devagar quanto metia. Seu quadril não tinha pressa. Berenice passava a mão pelos próprios seios e olhava as costas e bunda atléticas de Olivier pelo reflexo do espelho.

Os movimentos do vendedor foram ficando mais fortes, mais precisos e mais profundos. Berenice gemia mais alto. Aumentou também a vibração do Boo. Olivier grunhia com o esforço e o prazer da cama. Até que cedeu e caiu sobre ela.

Ele e ela se beijaram selvagemente antes de acalmarem e beijarem romanticamente.

Berenice foi se virando de lado e encaixou Olivier na conchinha. Agora, os dois se viam no reflexo do espelho, exceto quando ela virava o pescoço para trás para beijá-lo.

– Você está maravilhosa – falou Olivier.

Ela agradeceu com um beijo, pegou a mão dele e colocou no peito dela.

– Então me fode. Goza em mim – falou.

Olivier meteu nela com elegância, se encaravam e se desejavam pelo espelho.

Berenice aumentou a vibração do Boo e anunciou que ia gozar.

Olivier a beijou no ouvido e disse que ia também.

– Goza no meu corpo.

Ele meteu mais fundo.

Berenice gozou.

Olivier tirou o pau rapidamente e virou Berenice. Sobre ela, despejou seu orgasmo quente. Ela passou a mão com leveza por ele, espalhando ainda mais pela sua pele até levar uma gota à boca e beijar Olivier. No fundo, o espelho de Chloe testemunhava tudo.

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