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Conto hétero

Preciso confessar uma coisa antes de contar o que aconteceu.

Durante os três anos em que namorei o Thiago, eu tive uma imaginação secreta guardada com tanto cuidado que nunca fiz nem o menor aceno pra realidade. O Bruno era o melhor amigo dele. Aparecia nos churrascos, nas festas, naquelas noites de sexta em que a gente juntava todo mundo no apartamento. A gente tinha uma amizade boa, fácil, não precisa de esforço, e em nenhum momento eu deixei transparecer o que ficava na minha cabeça às vezes quando ele estava por perto.

Quem nunca teve uma imaginação dessas guardada a sete chaves? Alguém que nunca poderia ser, por mil razões óbvias, mas que exalava uma energia que ficava comigo por horas depois que ele saía da sala. Pois é. Guarda isso pra você. Eu guardei por oito anos.

Terminei com o Thiago no começo dos trinta, não demos certo. Seguimos vidas. Nunca mais tive notícia do Bruno.

Até sexta passada.

A Ana comemorou o aniversário em casa, petit comitê, umas doze pessoas, e eu achei que conhecia todo mundo. Cheguei com uma garrafa de vinho, cumprimentei quem estava na sala, e quando virei pro lado da varanda ele estava lá.

Sim, oito anos depois. O cabelo com um grisalho novo nas têmporas que ficava absurdamente charmoso, o mesmo sorriso, a mesma postura sexy. A gente se olhou por dois segundos antes de qualquer coisa, aquele reconhecimento que o corpo faz antes da cabeça processar.

“Bruno.”

“Oi, Camila.” O sorriso abriu devagar. “Quanto tempo.”

Descobrimos no primeiro minuto de conversa que a Ana era amiga da namorada antiga dele, que a gente tinha chegado nessa noite pelo mesmo caminho, mas completamente diferente, e que nenhum dos dois tinha ideia que o outro estaria ali. Coincidência, destino, universo com senso de humor. Nem sei mais o que eu estava pensando.

Ficamos na varanda enquanto a festa acontecia lá dentro. Atualizamos as vidas em resumo, ele mora em São Paulo faz quatro anos, estava no Rio a trabalho por uma semana, e a gente riu lembrando de episódios de quando nos conhecíamos sem nenhum constrangimento. O passado bem guardado onde fica.

Em algum momento eu disse, do nada: “eu sempre achei você muito gato, sabia? Guardei isso comigo a vida inteira.” 

Ele ficou quieto por um segundo, a taça de vinho parado no meio do ar.

“Eu sabia”, ele disse.

Me virei pra ele. “Sabia?”

“Acho que eu também sentia alguma coisa.” Uma pausa. “Mas o Thiago era meu amigo.”

“Era”, eu disse. “Faz oito anos.”

Ele me olhou de um jeito que eu reconheci, o mesmo de antes, multiplicado por tudo que a gente não tinha feito na época. Bateu o vinho na cabeça, aquele calor de quando você está prestes a fazer algo que ficou esperando tempo demais.

A festa continuou em volta da gente. A gente continuou na varanda.

Num momento em que os outros estavam em volta da mesa do bolo, ele chegou mais perto, o ombro encostando no meu, e disse baixinho “você está muito bonita”. 

A primeira vez que a mão dele tocou a minha foi passando a taça de volta, um contato de três segundos que durou muito mais do que três segundos na minha cabeça. A segunda foi quando ele colocou a mão na minha cintura pra me deixar passar num corredor estreito e ficou lá um momento além do necessário. Na terceira, eu estava encostada na parede da varanda e ele estava na minha frente bem perto, e a mão dele subiu pelo meu braço com uma leveza que me deixou toda arrepiada.

“Podemos sair daqui?”, ele disse.

“Podemos”, eu respondi.

Nos despedimos da Ana com abraços e desculpas de ressaca que nenhuma das duas acreditou, e saímos.

No Uber, a mão dele encontrou a minha no banco de trás e ficou ali até a gente chegar no meu apartamento. Entramos, eu não cheguei nem a acender a luz da sala inteira, só o abajur do canto, e quando me virei ele já estava chegando mais perto.

O beijo foi exatamente como eu tinha imaginado naquelas vezes que não devia ter imaginado. Firme, com as duas mãos no meu rosto, respiração profunda, e um olhar profundo que me fez acreditar que, certamente, ele imaginou mais aquilo do que eu. Deslizei as mãos pelo peito dele, senti o coração dele acelerado sob a camisa, e aquilo foi satisfatório de um jeito que eu não esperava. Pressionei meu corpo contra e dele e já pude sentir o pau completamente duro, grosso, que parecia que ia sair da calça por vontade própria.

Ele desfez os botões da minha blusa devagar, passou os dedos pela minha costela, e abaixou a boca pro meu pescoço e deu beijos molhados intercalando com leves chupadinhas. Apenas me fazendo imaginar como seria aquilo tudo na minha buceta. A mão dele foi subindo pela minha barriga até chegar nos meus peitos, por baixo do sutiã, apertando com cuidado e depois com mais vontade, e eu encostei a cabeça na parede e deixei.

Ele tirou meu sutiã, chupou meus peitos do mesmo jeito que tinha chupado meu pescoço. Suas mãos deslizavam pela minha barriga descendo cada vez mais, e eu já estava tão excitada que senti a buceta latejar antes de ele chegar lá. Quando a mão foi por baixo do vestido e os dedos encontraram a calcinha molhada, ele afastou a boca do meu corpo só pra me olhar.

“Oito anos de imaginação?”, ele disse, sorrindo.

“Cala boca”, eu respondi sorrindo.

Ele riu e colocou a mão dentro da calcinha. Passou os dedos pelos grandes lábios devagar, chegou no clitóris com a pontinha, fez um movimento circular leve que me tirou completamente do eixo, e quando eu gemi ele me puxou mais perto pelo quadril. Senti o pau dele duro contra minha coxa por cima da calça e aquilo acelerou tudo que já estava acontecendo.

Abri a calça dele e finalmente matei a minha curiosidade de ver como seria aquele pau. Era grande na medida certa, grosso e estava quente. Nao resisti e fui descendo aos poucos, na intenção de colocá-lo todo dentro da boca e reencontrar uma antiga imaginação minha, de que a gente se encontrava de madrugada na cozinha da casa de Búzios e eu chupava ele escondida (sem julgamentos, ok? Era imaginação, algo meu). Chupei ele devagar, com a boca bem molhada e, nossa, como o pau dele era gostoso.

Fomos pro quarto.

Ele me deitou, tirou meu vestido, e ficou me olhando por uns segundos. Desceu pelos meus peitos com a boca, chupou meu mamilo esquerdo com uma pressão que me fez prender a respiração, passou a língua pela barriga, chegou na minha coxa e mordeu de leve, e quando a boca dele chegou na minha buceta foi com vontade, sem rodeio, a língua abrindo e chegando no clitóris com um ritmo que meu corpo reconheceu antes de eu conseguir pensar.

Meteu os dedos enquanto me chupava, dois dedos curvados encontrando um lugar que me fez dobrar os joelhos e puxar o lençol, e ficou ali até eu estar me contorcendo sem compostura nenhuma. Quando eu já estava bem perto ele subiu, me beijou, e foi buscar algo que tinha visto na mesinha.

O Gel Jambu Active. Ele abriu, aqueceu algumas gotas entre os dedos, me olhou pedindo confirmação, e passou pela minha buceta com uma pressão suave. Quando ele desceu a cabeça de volta e a língua encontrou o gel, a combinação foi uma coisa que eu não sabia que existia. Gemi alto. Sem cerimônia nenhuma.

Ele meteu devagar quando eu pedi, foi até o fundo, ficou parado um segundo só pra me olhar, e começou um ritmo que foi de lento pra intenso, alternando penetração com a mão no clitóris, a boca no meu pescoço, o peso do corpo dele sobre o meu que era exatamente o que eu precisava. Gozei com as unhas no ombro dele e o nome dele na boca, o que foi simultaneamente o momento mais satisfatório e o mais hilário da minha vida adulta. 

Eu dei para o amigo do meu ex.

Ficamos acordados até tarde conversando sobre tudo que não conversamos na época, e em algum ponto rimos tanto de algo que nossa barriga chegou a doer. Transamos mais. E mais.

Ele volta pra São Paulo em 4 dias.

Não sei o que isso é ainda. Mas sei que oito anos de imaginação é tempo demais, e que matar a curiosidade foi muito melhor do que eu esperava.

O Thiago nunca vai saber. 

 

Escrito por Paola Q. exclusivamente para Désir

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