- Blog, Contos Eróticos
- abril 16, 2026
Conto Hétero
Letícia pediu para Bruno ver as horas. São 8h12. Será que a gente tomou um golpe, ela perguntou estranhando o atraso do guia que iria buscá-los. Calma, deve ter se atrasado, aqui não é a Inglaterra, respondeu Bruno tentando apaziguar a situação enquanto checava se aparecia alguma mensagem no celular. Na verdade, os dois já estavam arrependidos de terem comprado esse passeio de 10h e que começava tão cedo. Os outros passeios por vinícolas da Toscana eram mais curtos e mais baratos.
O casal especulava e reclamava da decisão tomada e até das poucas nuvens do céu quando um senhor estacionou lentamente na porta do seu hotel, saiu e perguntou se eram Letícia e Bruno. Cesare, piacere. Ele os conduziu até o carro e os colocou no banco de trás, onde tinha uma cesta com uns pães, geleias e frutas. Tenho água aqui no banco da frente, se quiserem também, ofereceu Cesare em um inglês carregado de sotaque italiano. Bruno e Letícia se olharam e sorriram. Agora, a escolha parecia certeira. Apesar de já terem comido no hotel, pegaram uns pedaços de pão e frutas.
Cesare espiava pelo retrovisor a reação deles ao comer. Em silêncio e de boca cheia, Bruno e Letícia assentiram com a cabeça. O italiano viu, mas fez questão de perguntar. Aprovadas? Letícia elogiou animada, Bruno concordou, Cesare soltou um sorriso de satisfação e deixou o silêncio tomar conta do carro. Mas ele nunca se segura e se orgulha. Foram feitos na minha vinícola, informou, tudo.
Agora, a excitação do casal havia aumentado para o passeio, ainda que não entendessem o tempo do passeio. O guia dirigia devagar pelas ruas quando começou a contar sobre a cidade. Mas não era a história contada nos jornais. Era a sua história na cidade. Passou pelo seu restaurante favorito, pela sua escola, pelas ruas que frequentava, onde jogava futebol quando ainda era menino. Os brasileiros ouviam em silêncio. Talvez se falassem por olhar. Cesare deixava os pensamentos fluírem e quase se perdia ao mergulhar em cada narrativa ou detalhe. Às vezes, inventava detalhes porque a realidade não havia sido tão boa assim. Na porta da Basilica di San Lorenzo, sua voz tremeu, o que sempre acontecia. Estava acostumado. Letícia cutucou Bruno para que prestasse atenção. Cesare falou pela primeira vez o nome de Lucia e os apresentou à igreja onde se casou. Se benzeu ao passar por ela. Letícia e Bruno repetiram o movimento. Vocês vão conhecê-la em casa, avisou.
Foi a última parada da cidade antes de pegar a estrada rumo a vinícola. Nesse trajeto, o italiano deixou o silêncio dominar o carro para que os turistas admirassem a vista das montanhas verdes. Perguntou apenas se queriam abrir a janela para sentir o cheiro. Eles concordaram. No rádio, uma música tradicional bem baixinha que talvez só ele estivesse ouvindo.
A mão de Bruno repousou sobre a coxa de Letícia. E ela retribuiu colocando a cabeça em seu ombro enquanto observavam a paisagem. Quando olhou o relógio, ele notou que havia passado quase 2h desde que haviam saído do hotel. O Sol havia dominado o céu e expulsado as nuvens, e a brisa fresca entrava para acariciar seus rostos. Cesare frequentemente olhava para trás e se alegrava com a tranquilidade que o casal passava.
Falta pouco, estamos chegando, disse o motorista. Mas o casal já estava relaxado e esqueceu de responder. De qualquer forma, chegaram em alguns poucos minutos. Cesare passou por um portão pequeno e antigo de madeira com uma placa Il Vigneto dell’Amore di Cesare e Lucia.
Eles chegaram. Cesare foi ao porta-malas pegar alguns ingredientes que havia pegado antes de buscá-los no hotel.
Entrou e apresentou a sala e outras áreas comuns da sua casa. Não havia barulho vindo de fora. Os móveis da casa eram de madeira. Por todo lado havia fotos de família. Ele foi apresentando os filhos, os netos, a irmã e, por fim, Lucia. Agora, sua voz parecia mais firme. Não quis se estender e logo os conduziu para a cozinha, onde tudo estava separado para que cozinhassem o almoço. Todos os ingredientes eram feitos e plantados por ele ou por amigos dele, ele explicou. Cesare colocou uma música italiana de fundo, entregou aventais para o casal e começou a orientá-los. Bruno e Letícia ouviam a história do Nhoque da Sorte e outras lendas da culinária italiana.
Tudo feito, Cesare organizou a mesa com utensílios de mesas bonitos, feitos a mão. O guardanapo tinha o nome deles: Letícia e Bruno. Minha irmã que faz, disse. São um presente do passeio. Inicialmente, bruschetta, burrata e salada de entrada, Depois, serviu duas massas diferentes para cada. Os brasileiros mal falavam. Abriam a boca apenas para comer e elogiar o sabor da comida. Sem vocês, eu não teria conseguido, agradecia Cesare com uma voz mansa. Com todos satisfeitos, o dono da casa pegou sorvete de creme e de framboesa e cannolis para servi-los. Eles estavam mais do que satisfeitos, mas não conseguiram recusar provar mais delícias do italiano.
Quando se levantaram da mesa, Letícia e Bruno se ofereceram para lavar a louça. Cesare recusou, disse que tinha ajuda para lavar. Ele então os levou para um pequeno tour, mostrando onde guardava os vinhos, onde os fermentava, os fornos que usava para fazer pão, outros utensílios históricos da família, mostrou a casa, os quartos dos filhos que não moravam mais com ele. Por fim, conduziu os dois para a área externa, com os dedos, mostrava onde era plantada e cultivada cada coisa da região, dando nome às famílias que o faziam e contando curtas histórias. Depois, os levou para onde iriam esmagar as uvas com os pés para fazerem seu próprio vinho. Era um pouco mais afastado da casa e havia uma pequena subida que fazia Cesare caminhar um pouco mais lento que o normal. Mostrou dois lagares, que era onde estavam as uvas que seriam pisadas, para eles. Ao lado, havia um chuveiro, duas mesas pequenas redondas com três cadeiras de ferro em cada e um banco de madeira para três ou quatro pessoas.
O italiano tirou da bolsa uma garrafa de vinho, duas de água e algumas poucas frutas, além de duas toalhas. Como bom italiano, vou tirar uma soneca agora após o almoço. Podem ficar à vontade. Quando terminarem, podem voltar para a casa. Mas não tenham pressa. É o momento de vocês. Se forem tirar a roupa para não manchar, me esperem sair, disse sorrindo e saindo. Bruno e Letícia agradeceram e pegaram o vinho para ver o rótulo. Vino d’Amore di Juan e Sofía. Cesare se afastava lentamente até entrar na casa e sumir da visão deles. O italiano se sentou na cama, deu um beijo na foto de Lucia e então se deitou.
Os brasileiros hesitaram e se olharam. Bruno entrou com um pé. O Sol esquentava a pele deles. Acho melhor a gente ficar sem short né, sugeriu Letícia. Bruno concordou. E os dois tiraram para entrar no lagar. De início, pisaram com cuidado, como se não tivessem a intenção de esmagar cada uma daquelas uvas. Depois, ganharam confiança e se divertiram com a textura tocando na pele. Bruno saiu do lagar, abriu o vinho e voltou com duas taças. Um brinde, meu amor. Brindaram, beberam e beijaram. Como Cesare havia sugerido, foi um beijo sem pressa, eterno, mas intenso. Gostoso o suficiente para Letícia lamber os beiços quando acabou e pedir outro. Os corpos se encostaram ainda mais. E o calor subiu entre eles. Bruno resolveu tirar a camisa. Letícia não quis. Apesar de estar de calcinha, ela estava escondida pelo lagar.
Terminaram a primeira taça e já tinham esmagado muitas uvas. Saíram um pouco e se sentaram para olhar a vista e descansar. Bruno se sentou quase deitado no banco para que Letícia pudesse se deitar no seu peito. Conversaram em voz baixa especulando sobre a vida. Bruno acariciava o corpo dela e despejava beijos pela sua cabeça e rosto principalmente quando ela emendava uma palavra na outra.
Mais uma taça de vinho para cada, decidiram voltar para o lagar. Olhavam ao redor. Ninguém por perto. Apenas folhas, montanhas e o Sol testemunhavam o amor dos dois. Agora, Bruno havia convencido Letícia a ficar sem camisa. De quebra, ficou também sem sutiã. Sentiu o calor na pele. Ele poderia ter ido direto beijar seus peitos, mas foi primeiro na boca. Sentiu os mamilos se enrijecerem um contra o outro. As uvas frescas e molhadas tocavam seus pés. O Sol quente tocava seus rostos e ombros. E as mãos passearam pelos corpos. Algo crescia ali entre eles. Não era só o amor. Era o pau de Bruno que queria sair da cueca. Ele enfim se abaixou um pouco para beijar os peitos de Letícia. Primeiro o esquerdo. Depois o direito. Beijos sedentos. Os mamilos de Letícia adoraram. Mas Bruno fez uma careta. Está sem gosto, disse. Como assim, perguntou Letícia em choque com o comentário inédito. Bruno então se abaixou, passou o indicador nas uvas esmagadas e depois no bico do peito de Letícia. Chupou. Agora sim, disse rindo. Letícia apertou apaixonadamente irritada com a brincadeira o seu cabelo. Eles riram e voltaram a se beijar. Será que o Cesare está vendo, especulou Letícia.
Se ele é italiano mesmo, está dormindo, respondeu Bruno brincando. Deram mais um gole na taça cada um. Ela ainda estava cheia, mas ele tirou da mão dela, saiu do lagar e guardou as duas na mesa.
Aproveitou e tirou a cueca. Agora vamos saber se ele está dormindo, se ele gritar, é porque está vendo, riu Bruno. Acho que ele vai é aplaudir um pau desse, falou Letícia já pegando no pau duro dele que entrava na banheira.
Era para pisar nas uvas. Mas Letícia se ajoelhou.
Ali mesmo começou a chupar Bruno. Babou bastante o pau dele. Lambeu, brincou com as bolas. Bruno revirava a cabeça, fechava os olhos por causa do Sol na sua cara. Letícia brincou. Passou os dedos nas uvas, colocou-os na boca e depois chupou o pau dele. Passou o pau rígido e melado pela própria cara. Bruno se abaixava para alcançar seus peitos. E então a puxou pelo cabelo para erguê-la. De pé, Letícia se abaixou só mais uma vez para tirar sua calcinha. Jogou longe.
Com os rostos colados, tocaram um no sexo do outro. Palavras saíam espremidas entre dentes cerrados contra os lábios. Bruno deixou sua boca escapulir pelo rosto, orelha e pescoço de Letícia e sussurrou, vira de costas.
Letícia obedeceu. Virou devagar e empinou a bunda se apoiando na borda do lagar. Bruno a penetrou por completo. Repousou seu pau dentro dela e a puxou para um beijo.
E logo começou a meter com vontade. Puxou seu cabelo e apertou sua cintura. Letícia apertou os próprios seios os deixando ainda mais sujos de vinho. Ela tentou erguer uma perna e apoiá-la na borda, mas não ficou confortável e retornou à posição inicial. Abriu um pouco mais as pernas. Bruno deu um tapa na sua bunda.
Quando Bruno diminuiu o ritmo, Letícia se virou e o beijou. Quero sentar em você, falou.
Eles saíram do Lagar. Bruno foi para a cadeira. Letícia foi nas suas coisas. Pegou o discreto Sugador Flower e o mostrou como se fosse ouro. Ele sorriu com a safadeza da mulher. Por um instante, havia esquecido que ela andava sempre preparada. Ela arqueou as pernas e montou nele de costas se apoiando na mesa que estava à frente. Para Bruno, a vista era maravilhosa. A bunda de Letícia subindo e descendo no seu pau, as montanhas italianas, e o Sol ardendo sua pele. Ela também tinha uma vista linda e aproveitou para tomar um gole do vinho que estava sobre a mesa. O campo ficou mais colorido. Ligou o Flower e encaixou no seu clitóris. Gemeu. Seu gemido era alto e forte, mas não gritava. Bruno a ajudava nos movimentos. Aos poucos, a sentada foi virando uma rebolada e seu corpo foi caindo sobre o de Bruno. Colou suas costas no peito dele e envolveu seu pescoço com o braço jogado para trás. Ele beijava seu pescoço e apertava seus peitos. Letícia rebolava no pau de Bruno com o Flower no clitóris. Agora, seus gemidos eram mais baixos. Sussurrava que ia gozar. Chamava Bruno de amor. Que delícia, eu vou gozar, repetia quase sem parar até gozar. O orgasmo veio junto com uma sede imensa de beijá-lo. Virou ainda mais a cabeça para trás para alcançar a boca de Bruno. Seus dois peitos foram abraçados pelas duas mãos dele. Ela se ergueu para beijá-lo com mais vontade, e aos poucos o pau dele foi saindo até escapulir duro.
Letícia se inclinou novamente para frente para tomar mais um gole do vinho. Ofereceu a outra taça a Bruno, que tomou e devolveu.
Ela veio agora de frente. Se sentou e colou seu peito novamente no dele. Eu te amo, ele disse. Eu também te amo, ela respondeu. Eu quero que você goze em mim, completou. Eles se beijaram e ela começou a rebolar. Depois, a quicar. Levava Bruno à loucura. Ele chupava seus peitos e agarrava com firmeza sua bunda. Eu vou gozar, deixou escapar entre um gemido e outro. Eu vou gozar, gemeu Bruno. Letícia subitamente saiu do seu colo e se ajoelhou à sua frente pegando a taça de vinho que estava na mesa. Tomou um gole do vinho e chupou o pau dele. Pediu para gozar enquanto batia punheta para ele. Bruno não resistiu. Toda sua excitação foi despejada na boca de Letícia, que sorriu ao sentir o líquido viscoso e quente na sua língua. Com a boca cheia de gozo, tomou um gole de vinho e sorriu ao engolir.
Voltou a se sentar nele. Se beijaram. Depois, acomodaram-se de lado vendo a vista e tomando um gole d’água. Passaram duas horas já, o Cesare deve estar esperando a gente. Olharam para o lagar e viram que quase todas as uvas já estavam pisadas.
Tomaram uma ducha e se vestiram. Levaram as taças e o vinho para Cesare, que os esperava na cozinha com sanduíches e focaccias de lanche. Gostaram, perguntou. Letícia e Bruno tentaram disfarçar a excitação, mas não foram bem-sucedidos. Falavam de forma mais acelerada que antes. Cesare ouviu tudo e assentiu com a cabeça.
Já deve estar perto do pôr-do-Sol, querem comer lá para vermos, perguntou o italiano. Os rostos dos brasileiros coraram. Parecia que haviam deixado evidências do amor que haviam praticado na vinícola. Mas aceitaram.
Cesare levou uma cesta com as comidas e duas garrafas de vinho.
Um rótulo era ‘Vino d’Amore Cesare e Lucia’ e o outro era ‘Vino d’Amore Johan e Chloe’. Letícia perguntou se o vinho havia sido feito por ele e pela esposa. Cesare contou que quando descobriram que ela iria morrer, produziram o máximo de vinhos possível para eles e que ele os servia para seus convidados, como se referia aos clientes. Bruno então perguntou quem eram Johan e Chloe e Juan e Sofía. Cesare falou que eram convidados, que recebia apenas casais. Contou que os vinhos que faziam, ele entregava duas garrafas para o casal e guardava outras consigo para espalhar para servir para os próximos e todos poderem compartilhar o amor com os outros. Então alguém vai beber esse vinho que a gente fez, perguntou Letícia. Bruno riu por sentir o constrangimento dela ao saber que transou no que outros irão beber. Cesare confirmou.
Quando o Sol caiu, foram levados para o hotel.
No silêncio do carro, cogitaram se o italiano imaginava que haviam transado ali. Cesare espiava suas expressões cansadas e apaixonadas e sabia que eles tinham feito sexo ali. Era para isso que os deixava a sós e para isso que servia a vinícola, para aflorar o amor e o desejo.
Ele até pensou em botar Il Vigneto dell Sesso di Cesare e Lucia, mas não venderia tanto.