- Blog, Contos Eróticos
- novembro 5, 2026
Conto hétero
Eu tenho um ritual quando chego em São Paulo a trabalho.
Hotel Fasano, quarto sempre no mesmo andar, mala desfeita antes de qualquer outra coisa, e depois desço pro bar do lobby com a roupa de viagem ainda e peço um Negroni. Não é sobre o drinque. É sobre o momento de transição entre o avião e a cidade, aquele espaço de meia hora em que eu não sou nem daqui nem de lá ainda.
Faço isso faz três anos. O Rodrigo, o barman de sempre, já sabe o que eu quero antes de eu sentar. A gente tem uma amizade de bar, boa conversa, ele conta da vida, eu conto da minha, e vai assim. É parte do ritual.
Nessa última vez, o Rodrigo não estava.
O rapaz atrás do balcão tinha uns 27 anos, talvez menos, ombros largos dentro de uma camisa branca bem passada, e um jeito de limpar o balcão que, ainda não sei porque, mas chamou a minha atenção. Talvez por não ser o Rodrigo, cuja presença já era normal pra mim. Talvez por ser mais atraente que o Rodrigo. Bom, só sei que, quando ele me viu sentar, veio imediatamente.
“O Rodrigo?”
“Folga”, ele disse. “Posso ajudar?”
Pedi o Negroni. Ele fez sem perguntar nada, o que já foi um bom sinal, e quando colocou na minha frente ficou um segundo a mais do que o protocolo pede.
“Você vem sempre aqui?”
Pareceu uma cantada clichê. Depois, percebi que realmente era. “Toda semana que venho a São Paulo.”
“E sempre pede Negroni?”
“Sempre.”
Ele inclinou levemente o corpo pra frente, os antebraços no balcão, olhando pra mim com uma curiosidade que era genuína. “Por que Negroni especificamente?”
Eu tinha 36 anos, estava cansada de uma semana intensa, e esse rapaz com olhos castanhos e uma atenção incomum estava me fazendo perguntas sobre drinque com uma seriedade que realmente parecia de quem quer saber de verdade. Algo no estômago virou de um jeito que eu reconheci imediatamente.
“Amargo com uma base doce”, eu disse. “Parece contraditório, mas funciona muito bem junto.”
Ele me olhou por um segundo antes de responder. “Faz sentido.”
A conversa foi ficando mais longa do que eu planejava. Ele se chamava Daniel, era de Campinas, tinha entrado no Fasano há seis meses depois de passar por outros bares menores, e estudava gastronomia à noite. Falava com uma seriedade sobre o trabalho que me surpreendeu, e havia um ponto em que parou no meio de uma frase, me olhou com atenção diferente, e disse: “Posso te perguntar uma coisa sem parecer estranho?”
“Depende da pergunta.”
“Quantos anos você tem?”
Não pisquei. “Trinta e seis.”
Ele assentiu devagar. “Pensei que fosse por aí.”
Não era assédio. Era cálculo. E a diferença entre os dois estava numa frequência que mulher sente antes de processar.
Fiquei no bar por mais de uma hora. Quando levantei pra ir, ele escreveu algo num guardanapo e deslizou pelo balcão sem dizer nada. O número dele, e embaixo: “se quiser continuar a conversa em outro contexto.”
Subi pro quarto, tomei banho, olhei pro guardanapo por uns dez minutos, e mandei mensagem.
Ele bateu na porta quarenta minutos depois, já sem o uniforme, numa camiseta simples que ficava bem demais naquele corpo. Entrou, olhou o quarto com a calma de quem não está impressionado (certamente aquele não era o primeiro quarto que ele visitava, mas também não me importei com isso), mas prestando atenção em tudo. Quando se virou pra mim havia uma clareza no olhar que me desarmou completamente. Ele já sabia o que eu queria.
Fui eu quem chegou mais perto. Fui eu quem beijou primeiro. Eu curti a ideia de ser mais velha e de intimidá-lo com toda minha certeza. Eu sempre soube o que eu queria, e daquela vez não seria diferente.
Ele respondia ao ritmo que eu impunha, o que foi imediatamente satisfatório. Tinha a boca firme, as mãos grandes que foram direto pra minha cintura com uma pressão que disse o que precisava dizer, e quando afastei pra olhar pra ele, ele estava me encarando com a mesma atenção que havia estado no bar, só que com uma intensidade a mais.
“Você sempre toma iniciativa assim?”, ele perguntou.
“Quando quero algo, sim.”
Ele sorriu. “Que bom. Era exatamente isso que eu esperava de você”
Joguei ele na minha cama, deixei o quarto com poucas luzes. Montei em cima dele e fui abrindo os botões da sua camisa devagar. Cheguei bem perto do seu rosto, olhei no fundo dos olhos dele e disse “Agora sim você vai me servir de verdade”. Ele gostou.
Passei levemente as unhas pelo peitoral dele, e fui beijando o abdômen dele bem devagar, descendo cada vez mais. Só eu sei a vontade que eu estava naquela semana de mamar um pau gostoso e depois sentar bem devagar, até sentir ele me preencher inteira. Por sorte, o dele parecia ser exatamente o que eu precisava. Abri sua calça e pedi pra ele tirar logo tudo, assim, facilitaria as coisas pra mim. O pau dele estava tão duro que parecia latejar.
Comecei chupando só a cabeça, lentamente, enquanto eu acariciava a minha buceta com a outra mão. Meu corpo foi ficando mais quente e meu tesao aumentava cada vez mais com a ideia de que aquele homem seria meu durante aquela noite, e que ele estava entregue a isso. Segurei o pau com as duas mãos, fazendo movimentos de vai-vem com pressão, intercalando com minha chupada profunda. Fui descendo em direção ao saco, quando ele deu o primeiro gemido.
Esse é o momento que a gente descobre com qual tipo de homem estamos lidando. São dois: o que relaxa as pernas e te dá sinal verde para brincar mais, e o que contrai a perna e segura seu cabelo indicando para você não passar daquele ponto. O Daniel era o primeiro tipo. Pois bem, dei beijos molhados e leve sugadinhas no saco dele até descer mais um pouquinho… ele abriu as pernas, apoiando os pés na cama (com joelhos dobrados) e deixou eu chupar o cu dele.
Que homem cheiroso e gostoso. Enquanto eu chupava ele inteiro, bem devagar, ele dava gemidos tímidos enquanto dizia que eu podia fazer o que eu quisesse com ele. Voltei com uma mão na minha buceta e eu estava tão molhada que já tinha passado da calcinha. Minha hora de sentar.
Tirei o vestido, coloquei a minha calcinha de lado e fui sentindo cada centímetro do pau dele penetrar na minha buceta encharcada. Ele mordia as próprias mãos de tanto prazer. Comecei com movimentos lentos, rebolando devagar, enquanto ele alisava meus peitos e me dizia o quão gostosa eu era. Nesse ponto, eu só queria sentir que estava no comando, sentando num pau gostoso do garçom, mais novo que eu, que me serviu no bar do hotel. Deitei em cima dele, ainda com o pau dentro de mim, encaixei meu dedo para acariciar meu clitoris e deixei ele ditar o ritmo. Estava tão gostoso que parecia que nós dois estávamos segurando o orgasmo para aquele momento não terminar.
Ele pediu pra eu ficar de quatro, sem tirar a calcinha, porque ele queria “me comer com força”. Palavras dele.
Eu pedi.
Ele alternava força e suavidade, sabia quando colocar a mão no meu clitóris sem eu pedir, quando acelerar e quando segurar. Quando ele percebeu que eu estava quase lá, ele acelerou e me mostrou toda força que havia me prometido. Gozei com as costas arqueadas e os dedos apertando o lençol da cama. Ele gozou em seguida.
Ficamos ali em tempo, nos recompondo. Conversamos, do mesmo jeito fácil do bar, só que – dessa vez – na horizontal.
Antes de ir, ele me perguntou quando eu voltaria.
“Você vai saber”, respondi. “Guardei o guardanapo”.
Escrito por Paola Q. exclusivamente para Désir