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Conto ménage

Eu e o Pedro temos um casamento que a maioria das pessoas não entenderia se eu explicasse num jantar. Não porque seja complicado, mas porque a maioria das pessoas ainda acha que casamento liberal é eufemismo pra relacionamento bagunçado. Não é. A gente tem regras, tem limites, tem conversas longas e honestas que muita gente monogâmica nunca teve na vida. E dentro dessas regras, existe um fetiche que é meu faz anos, que o Pedro sabe, que a gente já tentou concretizar antes sem sucesso por falta de pessoa certa.

Eu tenho uma fantasia de ménage com dois homens. Não é novidade pra ele. O que era novidade foi a mensagem que recebi numa quinta de tarde, enquanto eu estava em reunião: “chego às 20h e não venho sozinho. Vai gostar.”

Reli três vezes. Fui pro banheiro, me olhei no espelho, e voltei pra reunião fingindo normalidade enquanto minha cabeça estava em qualquer lugar menos ali.

Cheguei em casa às 19h, tomei um banho demorado, usei até meu esfoliante Flor de Pêssego. Depois passei o hidratante da mesma linha da Désir Care, e coloquei o vestido vermelho que o Pedro uma vez disse que deixava ele sem. Pronta na sala, hora de esperar. Às 20h10 a porta abriu.

Pedro entrou na frente, me deu um beijo demorado e disse baixinho no meu ouvido “pode confiar”. Atrás dele, o Renato. Uns 35 anos, mais alto que o Pedro, ombros largos, aquele tipo de rosto que é bonito sem parecer que se esforça pra isso. Ele me cumprimentou com um sorriso que era ao mesmo tempo educado e completamente ciente do que estava acontecendo ali. O sorriso dele disse tudo sem dizer nada.

A gente abriu um vinho. Ficamos conversando por uns quarenta minutos, que foi o tempo necessário pra eu passar de nervosa pra curiosa, e de curiosa pra impaciente. O Renato era engraçado, falava com confiança mas sem mansplaining, e a cada vez que ele me olhava eu sentia o Pedro me observando com aquele olhar específico que eu conheço bem, o de quem tá curtindo muito o que vê.

Foi o Pedro quem chegou primeiro. Me puxou pelo quadril, me beijou na frente do Renato com aquela possessividade gostosa que é nossa, e eu senti a energia da sala mudar completamente.

O Renato chegou por trás. Senti a mão dele no meu cabelo antes de a boca pousar no meu pescoço, e ter dois pares de mãos ao mesmo tempo é uma experiência que não tem manual. Seu cérebro desiste de rastrear de onde vem cada coisa e você simplesmente vira presença pura.

Me levaram pro quarto.

Deitei no meio da cama e os dois ficaram me olhando por um segundo, os três rindo daquele jeito levemente nervoso que aparece quando você está prestes a fazer algo que fantasiou muitas vezes. “Pode começar alguém?”, eu disse, e o Renato achou graça, e o Pedro me conhece bem o suficiente pra saber que era impulsividade e não impaciência.

O Pedro ficou na minha boca. Nos beijamos enquanto o Renato descia pelos meus peitos, cada um num ritmo próprio, e eu tentava me concentrar nas duas coisas ao mesmo tempo e não conseguia, o que era exatamente o ponto. Senti a língua do Renato chegar na minha barriga, nos quadris, na parte interna da coxa, e minha respiração foi ficando mais curta.

Quando a boca dele chegou na minha buceta, eu me afastei do beijo do Pedro involuntariamente, de tanto prazer. Ele riu. O Renato tinha uma língua que sabia variar, ora leve, ora com pressão, e eu tinha os dedos entrelaçados no cabelo dele e o quadril se movendo sozinho. O Pedro ficou chupando meu pescoço, passando a mão pelos meus peitos, falando coisas no meu ouvido que eu mal processava porque minha atenção estava toda na boca do Renato na minha buceta encharcada.

Fui pro limite e não gozei porque o Renato parou. Olhei pra ele com cara de poucos amigos e ele só deu aquele sorriso de novo.

O Pedro deitou do meu lado e me virou pra ele, meteu devagar enquanto o Renato ficava ajoelhado na cama me observando. Senti o pau do Pedro me preencher até o fundo e gemi alto, sem cerimônia. O Renato passou a mão pelas minhas costas, desceu pelo quadril, e enquanto o Pedro metia com aquele ritmo lento que me deixa louca, o Renato abaixou a cabeça e voltou a me chupar por baixo, língua no clitóris, enquanto o pau do Pedro entrava e saía. A sensação das duas coisas juntas era absurda. Eu não sabia pra onde mandar meu cérebro. Fiquei com a mão na cabeça do Renato e a outra no ombro do Pedro, completamente à mercê dos dois, gemendo de um jeito que eu mesma estranhei.

Foi quando o Pedro abriu a gaveta da mesinha e tirou o Pulpi. Entregou pro Renato sem explicar nada. Não precisava. O Renato encostou o bocal no meu clitóris e ligou. Enquanto o Pulpi fazia o que sabe fazer, o Pedro me comia devagar. Eu tive que fechar os olhos porque era muita informação pra processar de olhos abertos.

Gemi de um jeito que não reconheci.

O Renato aumentou uma intensidade. O Pedro acelerou. E a combinação das duas coisas ao mesmo tempo, mais as mãos do Renato na minha coxa e os olhos do Pedro me olhando de cima, me levou a um orgasmo que durou tempo suficiente pra eu perder a noção de onde estava.

Fiquei uns bons minutos sem falar nada. Os três na cama, o clima daquele jeito bom de depois.

“Bom”, eu disse quando voltei, “agora a gente pode jantar.”

O Pedro deu uma gargalhada. O Renato perguntou se eu sempre era assim.

“Sempre”, o Pedro respondeu por mim. 

Jantamos, bebemos mais vinho, e recomeçamos. Minha fantasia virou realidade, e o Renato um visitante frequente.

 

Escrito por Paola Q. exclusivamente para Désir

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