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Conto hétero

Eu sei que ele é meu vizinho do 72, que sai todo dia às 7h15 com uma mochila preta e volta por volta das 19h com cara de quem trabalhou mais do que deveria. Sei que compra manga no mercadinho do nosso prédio, e que costuma demorar nos banhos noturnos. Uma vez segurou a porta do elevador para mim, quando eu estava com as mãos cheias de sacolas, e isso se repetiu algumas vezes. Sim, na minha mente canceriana, bastou isso para eu pesquisar a rotina toda daquele homem. 

Eu só não sei o nome dele. Ainda.

Era uma noite de quarta. Eu tinha jantado sozinha, lavado a louça, ficado meia hora vendo reels, e em algum ponto entre o sofá e a cama decidi que não estava com sono. Entrei no quarto, abri a janela e deitei no meio da cama, olhando para o teto.

Foi então que ouvi o som do chuveiro dele ligando no apartamento ao lado. Paredes finas de prédio antigo, e eu nunca imaginei que isso poderia ser algo bom.

“Imagina”, eu pensei comigo mesma. “Só imagina”. Tirei meu Delight da gaveta.

Na minha cabeça, foi assim:

Ele bateu na minha porta numa tarde de sábado com uma garrafa de vinho e uma desculpa qualquer. Precisava de um abridor, porque o dele sumiu na última mudança. Era mentira, nós dois sabíamos, mas a mentira era o convite para eu abrir a porta com um sorriso safado no rosto.

Ele entrou, me olhou de um jeito curioso, e me perguntou: “Você sempre usa o cabelo assim?”

“Quando estou em casa, sim.”

“Fica bem”, ele disse. 

O vinho foi aberto. Sentamos na sala, e eu só conseguia reparar nas mãos dele enquanto segurava a taça. As mãos fortes, dedos compridos, o tipo de mão que eu facilmente consegui imaginar dentro de mim.

Coloquei um pouco do Jambu Active no Delight e liguei na primeira vibração. Segui imaginando.

Em algum ponto a conversa parou de existir e eu apenas beijei aquela boca gostosa. A boca foi descendo pelo meu pescoço, intercalando lambidinhas sutis, “fungadas” profundas para sentir o cheiro da minha pele. As mãos grandes abrindo espaço pelo meu corpo, enquanto eu sentia um pau grosso na medida encostar nas minhas pernas (na minha fantasia, eu sei exatamente o que funciona. Hora de aumentar a vibração e penetrar o Delight aos poucos). 

Ele continuou descendo devagar, com a boca, sem esquecer nenhum pedacinho de mim. O colo, a barriga, a parte interna da coxa. Ficou ali por tempo suficiente para que eu tivesse que segurar no lençol. Quando finalmente chegou na minha buceta, me lambeu bem devagar e deu sugadinhas bem leves no meu clitoris. Enquanto eu me contorcia, ele decidiu meter o pau bem devagar e foi até o fundo. 

Fez o movimento lento umas 6 vezes, tirou o pau e voltou a me chupar. Dessa vez, com mais vontade. Ele beijava a parte interna das minhas coxas, passava a língua em cada curvinha dos lábios da minha buceta, fazia um carinho bem leve no clitoris e me penetrava de novo com o pau. 

Na minha cabeça, ele não sabia que eu tinha o controle. Era só ele, a boca dele e as mãos dele, mas eram as minhas mãos no controle, era eu a protagonista guiando cada intensidade. Aumentei mais um nível. 

Ele me virou de bruços, passou o pau devagar na portinha da minha buceta, mas, antes de meter mais uma vez, ele decidiu chupar por um ângulo diferente. Abri mais as pernas e me entreguei completamente àquela sensação. Ele chupava a minha buceta devagar e escorregava em direção ao meu cuzinho. Nao gosto de anal, mas uma chupadinha carinhosa me tira do eixo. Ele me chupava com tanta vontade que eu sentia a minha buceta piscar, de forma involuntária, pedindo para ser comida.

Quando aumentei para a intensidade que eu sabia ser a última, foi o momento em que ele meteu com mais força, me segurando pelo quadril e preenchendo toda minha buceta com aquele pau grosso e melado. Meu orgasmo veio de dentro para fora e eu gemi de forma tão genuína que a sensação era de que eu realmente tinha transado com ele.

Fiquei parada por um tempo, o chuveiro já estava desligado.

Na manhã seguinte, no elevador, ele estava lá. Mochila preta, 7h15, e o sorriso de sempre quando a porta abriu.

E eu só não sei o nome dele. Ainda.

 

Escrito por Paola Q. exclusivamente para Désir

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