Blog Désir Atelier

Conto Lésbico

Vanessa observou a mulher pegando Sol. Ele queimava a pele. Imaginava a gota de suor escorrendo pela testa dela, também pelos seios, pela barriga, como um rio que segue seu rumo. Imaginou que pudesse até sentir, mas Vanessa também suava. Às vezes, se lembrava de morder o misto-quente. Viu o Delight sobre a mesa e se sentiu um pouco constrangida de ter imaginado que eles transariam de novo na sala e que ela se masturbaria na varanda em plena luz do dia. O brinquedo parecia desnecessário no momento, mas a caneta trabalhou. Vanessa se perguntou se algum dia havia ficado relaxada assim após transar com alguém, ainda mais se fosse desconhecido. Nas últimas três vezes, com certeza não. Tinha saído tão insatisfeita quanto insegura.

Dessa vez, foram linhas e linhas escritas. Não tão retas quanto previa. Pelo contrário, entortaram tanto que seguiram outro caminho, diferente do planejado inicialmente.

Como o suor pelo corpo, as palavras fluíram. Não era o texto ou o livro ainda. Mas seria a apresentação do novo projeto. Precisaria convencer a editora de mudar o rumo. E isso a empolgou.

Próximo ao horário do almoço, desceu para pegar alimentos frescos na feira que havia perto de casa. As cores vibrantes das frutas e hortaliças, o Sol quente na pele, a sombra fresca, uma garrafinha de água de coco, as resvaladas nas outras pessoas, o suor escorrendo. A vida acontecendo. E Vanessa fazendo acontecer.

Na volta, ainda passando pela pequena multidão da feira, cruzou com a sua vizinha, que andava distraída com uma regata que marcava o formato dos seus seios e mamilos. Instintivamente, sorriu e acenou com a cabeça. Mas ela passou direto de óculos escuros. Vanessa sorriu e se sentiu tola de ter achado que ela a reconheceria, afinal, ela não sabia que havia sido assistida na noite anterior.

Quando voltou, tomou um banho frio, preparou o almoço e comeu. Ainda se sentia um pouco cansada. Mas, antes de tirar um cochilo, trocou toda a roupa de cama. Escolheu a mais nova que tinha no armário para colocar.

Primeiro, suas pernas se esfregaram devagar pela cama, depois, os braços. E enfim os olhos se abriram. Viu o relógio e que o cochilo havia durado mais que o esperado. Virou-se para o lado, viu as mensagens no celular, mas decidiu ignorá-las. Espreguiçou-se mais um pouco até ficar mais acordada. Levantou-se, passou pela sala, espiou pela varanda buscando a varanda vizinha, que estava vazia.

O resto do domingo estava vazio.

Marcou então um compromisso consigo mesma.

Primeiro, abriu o armário, viu as roupas que já não serviam mais, as que estavam esquecidas e aproveitou para encher alguns carrinhos em sites da internet. Mexeu nos armários, nos frascos, tubos e caixas guardadas. Havia muita coisa sem validade e muito produto que não era usado há muito tempo. Jogou fora o que não prestava e organizou para usar os que ficaram.

Olhou-se no espelho do banheiro, olhou todos os produtos. Testou maquiagens que não usava há tempos. Batom vermelho, um rímel bem forte, sombra. Gostou do que viu.

Com a pinça, arrancou pelos perdidos pela sobrancelha. Com a gilete, raspou a perna.

Quando viu, já passava das 18h. Sentiu a casa mais leve, mais arrumada, com mais espaço. Havia lugares para serem ocupados.

Decidiu tomar um banho. Antes, abriu o armário agora arrumado e viu o que tinha sobrado. Pegou o esfoliante semi-novo que tinha e o hidratante.

Voltou rapidamente ao quarto para ligar o ar-condicionado.

Entrou de baixo da água quente, permitiu-se sentir cada gota caindo sobre seu rosto, peito, ombro, braços. Passou a mão mansamente pelo próprio corpo. Passou o xampu pelo cabelo, depois se ensaboou. No ritmo do fim de tarde de domingo, o sabonete deslizava na pele, ia e voltava. Depois, o condicionador. Desligou o chuveiro.

Lembrou-se do esfoliante.

Regulou a temperatura da água novamente.

Passou o esfoliante pelo rosto e pelo corpo. Renovava-se.

Saiu do banho, enxugou primeiro o cabelo, depois o corpo. O cabelo ainda ficou um pouco molhado. Vanessa o balançou. Segurou os próprios seios se olhando no espelho e decidiu passar o batom vermelho.

Foi até a cozinha pegar sua garrafa d’água, desacelerou ao passar pela sala. Cogitou que a vizinha estivesse na varanda e pudesse vê-la. Estava se sentindo desejada e queria ser ainda mais. Não havia ninguém lá. Na volta, parou um pouco para olhar. Lembrou-se da mulher transando de quatro antes de entrar no quarto.

Deitada pelada na cama, pensou no que comeria. Abriu o app e decidiu por uma pizza marguerita. Pegou o hidratante que tinha separado, foi até a janela e começou a passá-lo pelo corpo. Passou nos pés, nas canelas, coxas, barriga, seios, braços.

Sobre a cama, o Delight a esperava. Ela o pegou e tocou sua pele hidratada. Seu corpo virou o parque de diversões. O brinquedo deslizava calmamente no corpo vibrante. Quando ligou, ele ainda passava pela barriga, mas sua buceta já estava molhada, seus mamilos se arrepiavam. O Delight não foi direto até seu sexo. Caminhou ainda pela barriga, pelos seios, pelas coxas, pela virilha e enfim tocou rapidamente a buceta. Encaixou a parte de sucção no mamilo direito, mordeu os lábios e agarrou o mamilo esquerdo com as mãos. Olhou mais uma vez pela janela, viu a luz do quarto da vizinha acesa, mas não conseguiu vê-la. Foi mais uma vez obrigada a criar.

Sua língua escapuliu da boca num beijo no vento, mas que imaginava nela. Deu outra linguada. Riu. Pela primeira vez se imaginava com uma mulher e estava gostando das sensações que surgiam à sua mente. Apoiou-se no peitoril e empinou a bunda. Virou-se para trás para ver no espelho e se deu um tapa, que não foi dos melhores. Mas Vanessa gostou. Tanto que deu outro.

Colou o Delight entre as pernas e se penetrou com ele. Rebolou. Tirou e colocou, deslizou pela buceta molhada a cada movimento. Vanessa abriu a janela. Deixou que o ar externo mais quente que o do quarto aquecesse seu rosto e deixou seus mamilos roçarem no gelado peitoril da janela. Aumentou um pouco a intensidade do vibrador, ligou a parte do sugador e o espremeu entre suas coxas. Gemeu para si mesma. ‘Isso, isso!’, repetia quando não cerrava os lábios. Chegou a morder a mão. Mas lembrou-se que não tinha por que prender seu prazer, era hora de libertá-lo. E então gemeu. E depois um pouco mais alto, tomando coragem e desejando que pelo menos alguém ouvisse.

Virou-se de lado e apoiou um pé na cama para facilitar a penetração do Delight e gozou. Dessa vez, não parou no primeiro orgasmo. Continuou. Tinha mais para dar.

Ficou de quatro na cama de frente para o espelho e brincou com a própria buceta. Sua bunda empinada para a janela podia ser vista por qualquer vizinho dos andares de cima do prédio da frente. Mas, infelizmente, não tinha ninguém para testemunhar o prazer que vibrava ali no 306. Olhou-se no espelho, jogou os cabelos para frente. Às vezes, não resistia e era obrigada a olhar para baixo.

Colocou-se de joelhos na cama e começou a rebolar no Delight, que penetrava e sugava. Viu todo seu corpo no espelho. Acariciou com as mãos. Imaginou a vizinha a pegando por trás e usando o Delight nela. Fechou os olhos. Quase podia sentir seu toque. Aumentou a potência do Delight, gemeu alto e cada vez mais. Até gozar. Ofegante, virou-se para trás e viu a luz do quarto da vizinha apagar-se. Caiu então de braços abertos na cama. Será que ela também estava me assistindo?, pensou Vanessa. E será que gostou do que viu?

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