Blog Désir Atelier

Conto Hétero

Não era um conto de amor que havia planejado viver. Amores de verão normalmente só acontecem em filme. Eram quinze dias de Europa para um festival em Barcelona, depois Amsterdam, Berlim e fim. Ele, Sarah, a melhor amiga dela, e mais três britânicos que não conhecia antes de embarcar: Victoria, Dayse, John e Zac.

Victoria, ele não havia planejado.

Os primeiros dias em Barcelona foram leves. O festival, o calor não tão intenso, a cerveja desde cedo, as conversas que começavam em nenhum assunto e chegavam em todo lugar. Victoria tinha um sorriso que atraía o olhar mesmo quando ele evitava. Era fofa, brincalhona e respondia ao flerte com um flerte tímido, mas melhor que o dele. A diferença cultural o fazia duvidar do flerte dela e o impedia de dar um passo à frente. Mas todas essas dúvidas surgiram e morreram logo no primeiro dia. O álcool fez questão de acelerar as coisas e fazê-lo dar um, dois ou três passos à frente. Eram apenas poucos dias de festival e não havia muito tempo a perder. Se beijaram no início do segundo dia. Em dois dias já se comportavam como casal. Não porque estavam bêbados ou carentes, mas pela intensidade específica de estar com alguém o tempo todo numa cidade que não é de nenhum dos dois. Pertenciam um ao outro e estavam descobrindo ali.

Dormiam no mesmo Airbnb. Acordavam juntos. Passavam os dias juntos. Ele agia como se o tempo não estivesse passando, embora soubesse que estava. Em quatro dias ela voltaria para Londres e ele seguiria para Berlim.

E tão súbita quanto a chegada da paixão foi a despedida. Era difícil acreditar que acabava ali. A despedida pareceu uma eternidade para ambos. E quando ela sumiu do seu campo de vista, percebeu que ela ainda estava ali, mas dentro dele. Caiu a ficha de que nada acabava ali, era apenas o começo.

As dúvidas e especulações duraram apenas dois dias em Berlim. O óbvio precisava ser feito.

Mudou o voo. Adiou a volta ao Brasil do dia 16 para o dia 24. Trocou Amsterdam por Londres. Precisava de mais.

E ali o jogo virou.

Se em Barcelona não queria que o tempo passasse, em Berlim quis que o relógio girasse cada vez mais rápido. Cada hora em Berlim era uma hora a menos para o aeroporto de Heathrow.

Chegou em Londres numa tarde de quarta-feira.

Victoria estava trabalhando de casa em reunião. Ele esperou na sala, sentado no sofá dela, olhando ao redor para entender e entrar um pouco mais no mundo dela. Não demorou mais de uma hora. Ela saiu do quarto correndo e se jogou no colo dele. Se havia timidez há alguns dias quando eram desconhecidos no festival, agora ela não existia mais.

O que começou no colo virou beijo intenso, o beijo virou toque, e pouco depois já estavam nus no sofá da sala. Toda a pressa do início foi reduzida à lentidão dos apaixonados. Transaram devagar, com movimentos intensos, longos, mas demorados. Foi tanta espera para chegar até ali que não havia mais motivo para ter pressa. Mas a ansiedade também é uma lenha para o tesão e não demorou que os dois liberassem todo seu prazer para o outro.

Os dias que se seguiram foram de uma rotina improvisada, assim como a paixão. Corriam juntos de manhã, faziam alongamento, às vezes ioga, iam ao mercado, cozinhavam. Ela mostrava sua vizinhança, ele perguntava cada vez mais sobre o mundo dela. Faziam coisas de casal sem olhar para frente ainda que soubessem que em poucos dias estariam separados de novo. Evitavam tocar no assunto. Nunca parecia o momento certo.

Os dias foram passando.

O domingo antes do voo foi triste, um vazio preencheu o peito dos dois.

Se olhavam muitas vezes em silêncio. Sorrisos discretos e tímidos apareciam sem qualquer sinal de felicidade. Seus olhos pareciam Londres, sempre prontos para chover. Sabiam o que estava chegando. O que seria dali para frente era uma pergunta que nenhum dos dois fazia em voz alta. Era um medo que fazia pouco sentido. Porque se a pergunta era necessária, a resposta era óbvia. E o óbvio sempre precisa ser dito.

À noite, preparavam o jantar juntos na cozinha quando ele abriu uma garrafa de vinho. Encheu duas taças, foi até ela por trás, passou um braço pela cintura e entregou uma taça na mão dela sem dizer nada. Brindaram. Tomaram um gole. Ele se aproximou ainda mais dela, tocou sua pele, sentiu seu cheiro, parecia querer memorizar cada detalhe de Victoria.

Beijou devagar o pescoço, depois o rosto, até encostar na boca dela. Ela enfiou os dedos no cabelo dele. A respiração dos dois ia ficando mais lenta e mais pesada ao mesmo tempo. Estavam sincronizados.

Victoria virou-se para ele. O beijo ficou mais intenso, as mãos dele apertando a cintura dela, trazia-a para mais perto, parecia não querer deixá-la escapar. Os braços dela ao redor do pescoço dele, os dois empurrando um o corpo do outro como se fosse possível ocupar o mesmo espaço. As taças de vinho foram deixadas na pia. O jantar ficou para depois.

Ela tirou a blusa dele e percorreu o pescoço, o peito, a barriga com beijos molhados e lentos. Depois o puxou pela mão e o jogou no sofá. Sentou-se em cima dele e tirou a própria blusa. Pararam um pouco. Olharam-se e tiveram dificuldade de falar ou engolir a saliva. Não tinham dificuldade de amar. Beijaram-se.

Como tantos sentimentos podiam estar tão vivos e juntos ali? Era tesão e tensão, felicidade e saudade, vontade de falar tudo e não conseguir dizer nada.

– Te amo – ele disse baixo fazendo esforço depois para engolir e esperando uma reação dela.

Ela não falou nada. Não porque não quis. Mas porque não conseguiu e nem deu tempo. Soltou-se sobre ele o abraçando. Havia respondido mesmo sem dizer nada.

A pegação voltou a ficar intensa. Era como se tivessem tirado um caminhão das costas. Com aquelas duas palavras, resumiram horas de conversa que tinham dentro da própria cabeça. Automaticamente, foram se despindo do resto de roupa que ainda vestiam. Ela se ajoelhou na frente do sofá e o chupou do jeito que ele gostava, a mão no pau enquanto a outra apalpava o saco, os olhos olhando nos dele às vezes. Victoria puxou o parceiro para o quarto, abandonando as roupas para trás. Abriu a gaveta e pegou o vibrador casal Boo que havia comprado durante a semana para usar com ele. Colocou no pau dele e riu. “Acho que esse foi o melhor pedido de namoro que eu já vi”, ele disse e riu. Ela se sentou nele, os corpos colados, a bunda dela na mão dele, o pescoço dela exposto pedindo para ser beijado e tendo todos os seus pedidos atendidos. O Boo by Désir encaixava certinho no clitóris dela. Ele apertava sua bunda com as duas mãos, Victoria revirava a cabeça, e ele desejava ter mais bocas para poder beijá-la por completo. As bocas se encontravam e se perdiam e se encontravam de novo. E se desencontraram quando ela fechou os olhos para o teto e gemeu alto anunciando seu orgasmo. Ele percebeu pelas pernas trêmulas que pressionavam suas coxas.

Ele a jogou na cama e veio beijando seu corpo. Seus lábios e língua passaram pelos seios, barriga, costela, virilha, coxa e, quando percebeu que ela estava recomposta, começou a chupá-la bem devagar. Sua língua deslizava por toda buceta babada. Ela gemia mansamente e brincava com os próprios seios. Colocava toda a buceta na boca, esfregava o rosto, deixou a própria cara toda melada. Ela gostava disso.

Quando foi para cima dela, encaixou um papai e mamãe que colocou o Boo no lugar certo novamente. Mexeu devagar o quadril para penetrá-la. Passava a mão carinhosamente pelo rosto de Victoria, que sorria com a boca e com os olhos. Davam beijos curtos e longos. Ainda faltavam palavras, mas elas foram saindo aos poucos. Declarações de tesão e paixão. O Boo by Désir ainda vibrava no clitóris dela. Victoria puxou o quadril dele fazendo-o penetrar seu pau inteiro nela. Colaram os corpos e ele fez apenas movimentos curtinhos dentro dela. Ela o abraçou com as pernas. Beijaram-se incessantemente até os orgasmos dos dois chegarem. Não gemeram alto. Pelo contrário, suspiraram, faltou ar, faltou força, mas não faltou amor. Ele seguiu dentro dela até seu pau amolecer calmamente. Continuavam dando beijo no rosto, na boca, acariciando um ao outro.

Gozados, deitaram-se lado a lado. Tudo havia sido dito e decidido. Parecia não ter mais nada a dizer. Apenas uma vida junto a viver.

Victoria dormiu primeiro.

Ele ficou acordado. Ficou até as quatro da manhã olhando para ela dormir, a respiração dela, o jeito que o rosto dela ficava quando não havia mais nada para mostrar para o mundo, apenas ela sendo ela. Ficou olhando até que chegou a hora de pegar o táxi para o aeroporto.

Saiu sem acordá-la.

Não porque não quisesse se despedir, mas porque já tinha se despedido a noite inteira.

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