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- outubro 3, 2026
Conto hétero
Acordei sem o brinco esquerdo e com a certeza de que tinha sido uma das melhores noites da minha vida adulta.
O brinco era de ouro, da minha avó, e eu ia ter que virar o quarto de cabeça pra baixo antes de fazer o check-out. Enquanto procurava embaixo da cama, fui lembrando da noite na ordem inversa, que é como a memória funciona quando você ainda está meio dentro dela.
A cama primeiro. O Rafael deitado do meu lado às três da manhã, o braço sobre o meu quadril, dormindo com aquela tranquilidade de quem não tem culpa de nada. Antes disso, a janela aberta do hotel, a cidade lá fora, eu com o Pulse no clitóris e ele me comendo por trás com uma mão no meu cabelo e a outra segurando meu quadril como se eu fosse escapar. Antes disso, o corredor do hotel e o beijo que começou no elevador e não parou até a porta do quarto. Antes disso, a festa.
Vou contar a festa.
Eu não queria ir ao casamento da Gi sozinha. Fui porque sou a melhor amiga dela, e melhor amiga não abandona no altar, figurativamente. O problema é que casamento de amiga quando você está solteira tem uma energia específica que exige resistência emocional que eu não estava certa de ter. Peguei o vestido verde, o brinco da vó, e fui.
O Rafael era padrinho do noivo. Foi apresentado a mim na entrada da cerimônia com aquele aperto de mão formal de quem está cumprindo protocolo, e eu não pensei nada além de rosto bonito, ok, próximo. Durante a cerimônia ficamos na mesma fileira e não trocamos palavra. Mas eu reparei nas mãos dele quando ele aplaudiu. Isso eu admito.
Na festa foi diferente.
Ele apareceu na minha mesa no jantar com dois drinques, colocou um na minha frente sem perguntar e disse “você estava com cara de precisar disso lá na cerimônia.” Não era cantada, era observação. E estava certo, o que foi irritante e divertido ao mesmo tempo. Ficamos na mesa conversando enquanto a festa acontecia ao redor, e ele era direto sem ser grosso, engraçado sem forçar, e tinha aquele jeito de dar atenção total quando você fala que eu já sei ser meu ponto fraco. Em algum ponto a Gi passou, me viu com ele, e fez a sobrancelha que significa “já sei o que está acontecendo e aprovo completamente.”
Dançamos uma música, só uma, mas foi o tipo de dança em que os corpos ficam próximos demais pra ser casual. Quando a música acabou ele falou no meu ouvido “meu quarto é no quinto andar” e eu respondi “o meu é no sétimo” e ficamos nos olhando por dois segundos antes de ele dizer “então vai ser o sétimo.”
Foi o sétimo.
No quarto ele foi tirando o terno com calma, dobrou o paletó numa cadeira como se tivesse tempo pra tudo, e me olhou de um jeito que eu senti do pescoço até os joelhos. Me beijou devagar no começo, as mãos no meu rosto, e foi desapertando o vestido pelas costas com muita intenção. O vestido caiu e ele me olhou por um segundo antes de continuar, o tipo de pausa que vale mais que muita coisa.
Me deitou na cama, desceu pelo meu pescoço com a boca, chupou meus peitos com vontade, alternando a língua com uma pressão dos lábios que me deixou com a pele toda acordada. Foi chegando na barriga, no quadril, mordiscou a parte interna da coxa com força suficiente pra eu prender a respiração, e quando a boca dele chegou na minha buceta foi com uma língua que tinha ritmo próprio, que não se apressava, que ficou ali até eu estar me contorcendo sem cerimônia nenhuma.
Ele me chupou devagar, fazendo movimentos circulares no clitóris com a pontinha da língua, meteu um dedo, depois dois, foi aumentando quando meu quadril começou a responder, e quando eu gemi pedindo mais ele acelerou sem tirar a boca de onde estava. Eu tinha os dedos no cabelo dele e a outra mão espalmada no colchão tentando me segurar em algum lugar, e quando eu já estava bem perto ele parou, subiu, me beijou, e eu provei meu gosto na boca dele.
Alcancei minha bolsa, tirei o Bullet Pulse dela e coloquei na mão dele. Ele ligou, encostou no meu clitóris enquanto me penetrava devagar, e eu fechei os olhos e soltei um gemido que saiu antes que eu pudesse segurar. O Pulse por fora, o pau dele me preenchendo até o fundo, as mãos dele firmes no meu quadril, foi uma combinação que fez o tempo parar por um pedaço bom. Ele metia num ritmo lento, aumentando quando eu pedia com o corpo, e em algum ponto eu parei de tentar controlar qualquer coisa e simplesmente deixei.
Gozei ruidosamente, o que num hotel de casamento às duas da manhã foi uma escolha, digamos, corajosa. Ele gozou logo depois, o rosto no meu pescoço, e a gente ficou ali por um tempo sem falar, o barulho da festa ainda chegando lá de baixo pelo corredor.
Encontrei o brinco debaixo da cama às 9h47, envolto no lenço que ele tinha usado pra me cobrir de madrugada depois que adormecemos.
Deixei meu número no bloco de papel do hotel e coloquei na mesinha do lado dele antes de sair.
Ainda não sei se foi gentileza ou esperança. Provavelmente os dois.
Escrito por Paola Q. exclusivamente para Désir
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