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Conto hétero 

Vou tentar organizar isso na ordem certa, mas a verdade é que minha cabeça ainda não voltou completamente. Então vai ser na ordem que vier.

O coworking fecha às 20h nas sextas. Todo mundo some a partir das 18h, aquela debandada clássica de quem aguenta a semana inteira na base da promessa do fim de semana. Eu tinha ficado por conta de uma apresentação que precisava fechar, e o Thiago, que fica na sala do fundo e com quem eu trocava no máximo um aceno de cabeça por dia, tinha ficado também. Não sei por quê, não perguntei.

A gente se esbarrava na máquina de café há quatro meses. Quatro meses de boa tarde, de segurar a porta, de aquele tipo de sorriso educado que não diz nada. Ele é daqueles caras que não chama atenção de longe mas que de perto tem uma presença que ocupa o espaço. Cabelo desarrumado do jeito que parece natural mas provavelmente não é, camisa sempre com a manga dobrada até o cotovelo. Eu tinha reparado nas mãos dele antes. Isso eu admito.

Eram quase 19h quando ele apareceu na porta da minha sala com dois copos de café e perguntou se eu queria. Era uma pergunta simples. Mas quando a gente está sozinha num lugar que durante o dia tem quarenta pessoas e de repente tem duas, as coisas simples ficam com outro peso.

Peguei o café. Ele sentou na cadeira do lado. E a gente ficou conversando sobre a apresentação, sobre o projeto dele, sobre o bairro, sobre como Ipanema está cheio de novos restaurantes. Lá fora o barulho da rua ia crescendo, aquela energia de fim de semana começando, e aqui dentro éramos só nós dois e o ventilador de teto girando devagar.

Em algum ponto o café esfriou e nenhum dos dois estava mais falando de trabalho.

Não lembro quem chegou mais perto primeiro. Lembro que quando percebi ele estava a uns vinte centímetros do meu rosto, me olhando de um jeito que não tinha nada de colega de coworking, e que eu não recuei.

O beijo foi direto, sem aquela fase de hesitação, e ele beijava com as duas mãos ocupadas, uma no meu rosto, outra na minha cintura. Eu tinha passado quatro meses sem dar a menor bola pra esse homem e de repente estava com a cabeça completamente tomada por ele.

A sala tinha um sofá de dois lugares no canto, daqueles de escritório que não são confortáveis pra nada, mas que naquele momento pareceu suficiente pra tudo. A gente foi até lá sem parar de se beijar, eu sentei no colo dele, senti o pau dele endurecendo sob a minha calcinha, e aquilo acelerou tudo que já estava acontecendo.

Ele desceu a alça do meu vestido, passou a boca pelo meu ombro, pelo colo, e chupou meu peito com uma vontade que me fez segurar no braço da cadeira. A janela estava aberta, o barulho de Ipanema entrando, e ter que fazer silêncio num lugar que não é seu tem uma qualidade de tesão que é difícil de descrever.

Enfiou a mão por baixo do vestido, passou o dedo por cima da calcinha, e eu já estava tão molhada que ele percebeu antes de eu falar qualquer coisa. Chegou o dedo por dentro da calcinha, deslizou pelos lábios, chegou no clitóris com uma pressão leve, e eu mordi o ombro dele pra não fazer barulho.

“Minha bolsa”, eu disse no ouvido dele.

Ele pegou sem perguntar e eu mesma tirei o que precisava. O Hot & Spicy primeiro, aqueci algumas gotas entre os dedos e passei pela minha buceta. O calor chegou devagar, aquela ativação que prepara tudo, e quando os dedos dele voltaram a me tocar, ele percebeu a diferença na temperatura e me olhou com uma expressão que misturava surpresa e aprovação.

“O que é isso?”, ele perguntou baixinho.

“Gel”, eu disse. “Continua.”

Ele continuou. Os dedos dele dentro de mim, o calor do gel se espalhando, a boca dele no meu pescoço, e eu com o vestido arriado até a cintura no sofá de um coworking em Ipanema às sete da noite de sexta. A vida é imprevisível de formas muito boas às vezes.

Quando eu não aguentei mais ficar quieta, tirei o Bullet Pulse da bolsa e coloquei no meu clitóris enquanto ele me comia devagar. O calor do gel por dentro, o Pulse por fora, o pau dele indo fundo, foi uma combinação que fez meu corpo inteiro travar por um segundo antes de soltar tudo de uma vez.

Gozei tentando não fazer barulho, o que resultou num gemido abafado no ombro dele que com certeza não foi tão silencioso quanto eu achei na hora.

Ficamos um tempo ali, sem falar nada. Ele me olhou. Eu olhei pra ele. E os dois caímos na risada ao mesmo tempo, do jeito que só acontece quando algo completamente inesperado termina bem.

Arrumei o vestido. Ele arrumou a camisa. A gente fechou o coworking juntos, ele esperou eu chamar o uber na calçada, e antes de eu entrar no carro ele disse “segunda-feira vai ser estranho.”

“Vai”, eu concordei.

Entrei no carro.

O sinal da Visconde de Pirajá abriu, o carro andou, e eu fiquei olhando o bairro passar pela janela pensando que quatro meses é muito tempo pra ficar trocando boa tarde com alguém.

Segunda vai ser interessante.

 

Escrito por Paola Q. exclusivamente para Désir

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