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- agosto 20, 2026
Conto lésbico
Eu e a Bru namoramos homens a vida toda. Esse é o contexto.
Nos conhecemos num jantar na casa da Lari, uma daquelas noites sem expectativa que viram a melhor da temporada. A Bru chegou atrasada, vestido vermelho, garrafa de vinho debaixo do braço, e uma energia que não era de quem quer aparecer, era de quem simplesmente é. A Lari nos apresentou, a gente se cumprimentou, e pronto. Um momento simples, mas uma sensação estranha de querer continuar perto.
A noite foi longa, todo mundo bebeu mais do que devia, e em algum ponto a gente acabou num canto da sala rindo muito de coisas aleatórias. Ela tinha um jeito de me olhar quando eu falava que me deixava um pouco travada, sabe? Não era over, não era flerte óbvio. Era só atenção de verdade, o suficiente pra me desconcertar.
Quando as pessoas foram embora, ela perguntou se eu queria dividir o uber, pois morávamos perto. E foi assim que tudo começou. Bom, na verdade, já tinha começado.
Três semanas de conversas diárias depois, ela me chamou pra jantar na casa dela. “Casual”, disse. “Vou fazer massa”. Fui com uma garrafa de vinho e um frio no estômago que fingi não ter. A massa estava ótima, o vinho também, mas a gente mal comeu de tanto papo.
Quando ela virou pra me olhar num silêncio que durou tempo demais pra ser casual, eu entendi o que estava acontecendo.
“Posso te falar uma coisa estranha?”, ela disse.
“Pode.”
“Eu fico nervosa perto de você.”
Nenhuma das duas sabia exatamente o que estava fazendo. Mas nenhuma recuou.
Fui eu quem beijei primeiro. Pra minha própria surpresa.
A boca dela era diferente de tudo que eu conhecia, mais macia, mais presente, e estava com jeito de quem não pensava em mais nada além de mim. Quando ela me puxou mais pra perto, pelo quadril, minha cabeça apagou tudo que não fosse aquele momento.
“Eu nunca fiz isso”, eu disse no intervalo entre um beijo e outro.
“Eu também não.” Uma pausa. “Mas eu quero muito.”
A gente se olhou e riu daquele jeito nervoso e gostoso ao mesmo tempo, e foi pro quarto.
Ela me deitou e ficou me olhando por um segundo, quieta, como se quisesse guardar antes de continuar. Tem algo muito diferente em ser olhada assim por uma mulher, uma atenção sem pressa, que vai além sem precisar forçar nada.
Começou pelo pescoço, beijos molhados misturados com uma pressão mais firme que me deu arrepio do pescoço até os braços. A boca foi descendo pro colo, ela cheirava meu pescoço várias vezes. Senti buceta ficar molhada antes mesmo de ela ter chegado perto de lá. Quando a boca chegou nos meus peitos, eu já estava entregue. Ela chupou com vontade, usou os dentes bem de leve, trocou de lado, e eu puxei o cabelo dela sem querer. Ela pausou, e me olhou com cara de quem gostou.
Ela mordiscou o caminho até a minha barriga, parou na lateral do quadril com uma pressão que me deixou louca sem entender bem por quê, e foi chegando nas minhas coxas com aquela boca que alternava calor e frescor. Eu já estava me contorcendo quando ela chegou na minha buceta, com a língua bem leve no começo, quase provocando, lambendo os grandes lábios com uma calma absurda enquanto eu empurrava o quadril tentando forçar mais contato.
Ela não deixou.
Segurou o meu quadril com as duas mãos, me fixou na cama, e continuou no ritmo dela. Sugadinhas leves no clitóris, língua espalmada nos lábios, uma variação que eu não conseguia antecipar e que me deixava no limite o tempo todo. Eu pedia com o corpo, com gemido, com nome, e ela atendia só quando queria. Maldade gostosa de quem sabia exatamente o que estava fazendo.
Quando eu já estava quase, ela parou.
Levantou a cabeça, me olhou, e pegou o sugador Love na gaveta da mesinha. Ela ligou na primeira intensidade, encostou o bocal no meu clitóris e ficou me olhando enquanto eu processava a sensação.
Não há nenhuma outra sensação que eu consiga comparar com o que senti. Ela foi aumentando devagar, intensidade por intensidade, sem desviar os olhos de mim, e teve um momento em que eu percebi que estava sendo completamente observada enquanto me desfazia, e que esse detalhe me deixava ainda mais excitada.
Tem algo absurdamente íntimo nisso. Não tem como fingir nada.
Na quarta intensidade eu já não tinha compostura. Ela se inclinou, botou a boca quente no meu ouvido e disse baixinho, “você é linda quando tá assim”, e eu gozei em cima dessa frase.
Daqueles orgasmos que chegam em ondas, que você acha que acabou e vem mais uma, e mais uma. Fiquei com os olhos fechados um tempo que não soube medir, o corpo pesado do jeito bom, enquanto ela ficava deitada ao meu lado com a mão na minha barriga, sem falar nada, sem precisar.
Aprendi naquela noite que dar prazer pra uma mulher é uma das coisas mais gostosas que eu já fiz, porque você conhece o corpo. Você entende o pedido antes de ele ser feito.
Ficamos até às três da manhã.
Na manhã seguinte, enquanto tomava o café que ela fez, me caiu a ficha de que nenhum homem que eu namorei tinha me olhado assim enquanto eu gozava.
Que desperdício de tempo.
Escrito por Paola Q. exclusivamente para Désir
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