- Blog, Contos Eróticos
- julho 30, 2026
Conto hétero
Lucas chegou na minha vida como chegam certas pessoas, sem aviso, sem cerimônia, apenas ocupando um espaço que eu nem sabia que estava vazio.
Na época, eu tinha 32 anos, cabelos castanhos na altura dos ombros que eu sempre prendia nas reuniões porque achava que ficava mais profissional, e um guarda-roupa de trabalho que minha amiga definia como “elegante demais para a sua idade”. Usava batom vermelho às quartas-feiras sem nenhuma razão específica, era só o dia em que eu precisava me sentir um pouco mais eu. Apesar da discrição, um lado meu sempre foi mais “imaginativo”, principalmente com algumas pessoas do meu convívio.
Lucas era consultor de uma empresa parceira, e durante três meses nos vimos em reuniões quinzenais. Ele tinha uns quarenta anos, cabelos escuros com o começo de um grisalho e uma forma de entrar na sala que eu só conseguia descrever como deliberada: sem pressa, sem necessidade de chamar atenção, mas impossível de ignorar. Falava pouco nas reuniões, mas quando falava, todo mundo parava. E ele sabia o efeito que causava em mim. Principalmente às quartas, quando ele sentia que a minha energia era diferente.
O que me atraía nele não era óbvio. Não era só a aparência, era a atenção. Lucas ouvia de um jeito que poucas pessoas ouvem, com o corpo inteiro voltado para quem estava falando, sem nem olhar para o celular. E eu sempre imaginava aquela atenção toda voltada para o meu corpo. Numa das reuniões, eu apresentei uma análise que me custou dias de preparo e que metade da sala claramente não tinha lido. Ele foi o único que fez perguntas. Depois, no corredor, passou por mim e disse apenas: “O slide 4 estava errado de propósito, né? Para ver quem prestava atenção.” Não era verdade. Mas eu ri, e ele riu, e por três segundos ficamos parados no corredor como dois bobos sorrindo sem motivo aparente.
A partir daí, entramos numa espécie de jogo silencioso que nenhum de nós nomeava. Ele chegava na sala, me encontrava entre as pessoas, e havia um momento rápido, discreto de troca de olhares. Minha colega Patrícia disse uma vez: “Aquele consultor fica te olhando.” Eu disse que ela estava viajando. Mentira. Estava cada vez mais difícil não imaginar como seria aquela boca me chupando lentamente por cada milímetro do meu corpo.
Na última sexta do projeto, quando a equipe foi embora e ficamos apenas nós dois recolhendo os materiais da sala de reunião, ele disse, sem me olhar enquanto dobrava os papéis: “Você tem algum plano hoje à noite?”
Disse que não. E ele respondeu com aquela calma que me deixava completamente louca: “Eu tenho um Malbec em casa e seria um desperdício tomar sozinho.”
Não era um convite elaborado, e foi exatamente por isso que funcionou. Eu nunca fui grande entendedora de vinho, mas naquele momento eu sabia que o tal Malbec tinha tudo para ser a melhor degustação dos últimos tempos.
Cheguei ao apartamento dele às 21h. Ele abriu a porta já com o primeiro botão da camisa aberta, e algo no meu estômago apertou de um jeito que eu conhecia bem mas fazia tempo que não sentia. Entrei, ele abriu o vinho, e por uma hora falamos de tudo que não era o que estava acontecendo entre nós: projetos futuros, os preços altos da cidade, um livro aleatório. Mas a cada gole, a distância entre nós no sofá diminuía alguns centímetros, quase imperceptivelmente, como maré que sobe sem que ninguém veja.
Quando ele pegou minha taça para reabastecê-la e deixou a mão pousar levemente no meu joelho ao devolvê-la, nós já sabíamos que a conversa havia acabado.
O beijo foi lento no começo, o tipo de beijo que não tem pressa porque sabe que vai durar. Eu me peguei com as mãos na nuca dele antes mesmo de decidir colocá-las ali. Fui descendo devagar, e senti pau dele pela primeira vez. Era grosso, estava muito duro e aquele era mais um indício de que a noite seria memorável. Abri a calça dele e comecei a fazer um carinho bem lento no pau. Deslizei a mão pela cabeça, completamente melada, passei os dedos pela glande, e fiz um olhar intencional. Eu falava com os olhos exatamente o que eu queria. Foi quando ele me puxou mais perto e meu corpo inteiro esquentou. Não era mais efeito só do vinho.
Ele me deitou no sofá e começou a descer pelo meu pescoço com a boca. Eu estava com um vestido de botões na frente, e ele foi abrindo um por um, sem pressa, como se tivéssemos a noite inteira. Que, aliás, tínhamos. Quando meu vestido abriu completamente, ele levantou, foi até o quarto e voltou com algo pequeno na mão. “Comprei semana passada”, disse, com um sorriso no canto da boca. “Estava esperando uma ocasião.”
Era o Gel Beijável Hot & Spicy da Désir. Aqueceu algumas gotas entre os dedos e passou pelo meu colo, pela curva dos meus peitos. O calor chegou primeiro, suave, como se a pele estivesse acordando. Depois a boca dele seguiu o mesmo caminho. Ele chupava meus mamilos e dava leves mordidas usando apenas os lábios. Eu gemia baixinho, sentindo o frescor da saliva e o calor do gel. A única coisa que eu sabia fazer era pedir mais. “Me chupa inteira, do jeito que eu sei que você pensou em todas as reuniões que tivemos”.
Ele desceu devagar, lambendo cada pedaço da minha barriga. Quando chegou na minha virilha e eu senti o calor do gel na pele mais sensível do meu corpo, precisei morder o lábio para não fazer ainda mais barulho. Lucas percebeu. E foi exatamente aí que ele diminuiu o ritmo, de propósito, só para me ouvir pedir mais.
Pedi.
Ele sorriu contra a minha pele e foi buscar mais alguma coisa. Para completar o meu “desespero”, era um Delight. Ele começou beijando minha buceta, lambendo devagar toda região ao redor do meu clitóris, enquanto eu já me contorcia pressionando a cabeça dele querendo mais. Ele meteu um dedo e percebeu que eu já estava encharcada. Era a hora perfeita para ele e o Delight brilharem. Ele encaixou a boquinha de silicone no lugar certo e ligou na intensidade mais baixa.
A sensação é difícil de descrever para quem nunca experimentou. Não é vibração, é uma pressão que pulsa, que envolve, que não deixa escapatória. Lucas revezava a boca entre meus peitos e meu pescoço enquanto conduzia o Delight com a mão, aumentando e diminuindo a intensidade cada vez que eu estava perto demais. Era uma crueldade gentil e eu estava completamente à mercê dela.
Quando ele finalmente não diminuiu, quando deixou a onda crescer sem interromper, senti meu corpo inteiro contrair e depois soltar de uma vez, como algo que estava há muito tempo represado. Era todo tesão que eu sentia naquele homem. Enquanto eu ainda estava em estado de êxtase, ele colocou a camisinha e meteu em mim. Pude sentir aquele pau grosso preenchendo cada espaço meu e ainda sentindo as pulsações de quem havia acabado de gozar. Ele meteu fundo, devagar, enquanto acariciava meus peitos e me olhava com olhar de quem queria me devorar há tempos. Eu apenas me deixei levar por aquela sensação maravilhosa e, de forma inédita, eu gozei mais uma vez. Mas, dessa vez, junto com ele. Senti sua respiração ofegante enquanto o pau dele despeja em mim todo seu desejo.
Ficamos ali, na mesma posição, por alguns minutos. Os olhos fechados, ouvindo o vinho terminar de respirar na taça que ficou abandonada na mesa de centro. Lucas deitou ao meu lado e passou a mão no meu cabelo sem dizer nada.
Depois de alguns segundos em silêncio, olhei no fundo dos olhos dele.
“Você disse que tinha um Malbec. Mas não mencionou que tinha mais de uma garrafa.”
Ele riu. “Tenho.”
“Bem”, falei, levantando devagar. “A noite ainda é longa”.
Escrito por Paola Q. exclusivamente para Désir
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