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- agosto 6, 2026
Conto bissexual – Menáge
Eu não tinha planejado nada para aquela noite. Peguei a bolsa, saí do apartamento e fui parar naquele bar por inércia. O tipo de lugar com luz baixa e música no volume certo, onde ninguém te pede para ser sociável mas também ninguém te deixa completamente sozinha.
Pedi um drinque, encontrei um banquinho no canto do balcão e fiquei ali, num estado que não era tristeza nem alegria, apenas presença. Observando. Foi assim que os vi.
Eles estavam numa mesa perto da janela, ele de costas para mim, ela de frente. Um casal que claramente se conhecia bem o suficiente para ficar em silêncio sem desconforto, o tipo de cumplicidade que se constrói em anos. Ela tinha uns trinta e poucos anos, cabelos escuros presos de qualquer jeito num coque, um vestido verde que ficava bem demais para ser acaso. Enquanto ele falava, ela ouvia com o queixo levemente apoiado na mão, e tinha uma energia diferente nela: tranquila, segura, completamente à vontade no próprio corpo. Foi isso que me fez olhar para ela mais do que deveria.
E então ela olhou para mim.
Não foi um olhar acidental. Foi direto, consciente, dois segundos longos antes de voltar para o marido com um sorriso que eu não consegui decifrar. Peguei meu drinque e desviei. Mas o calor já havia subido.
Nos vinte minutos seguintes, aquilo se repetiu com uma frequência que não podia ser coincidência. Ela olhava, eu olhava, uma das duas desviava. Na terceira ou quarta vez, ela não desviou, ficou me olhando até eu ser a primeira a virar o rosto, o que fiz com uma lentidão que já era uma resposta em si.
Quando me levantei para ir ao banheiro, não pensei nela. Ou fingi que não.
O banheiro era pequeno, com duas pias e um espelho comprido que dobrava tudo. Eu estava passando batom quando a porta abriu e ela entrou. Nossos olhos se encontraram no espelho antes de se encontrarem de verdade, e ela sorriu do mesmo jeito que havia sorrido para o marido.
“Você está sozinha hoje à noite”, ela disse. Não era uma pergunta.
“Estou”, respondi, sem tirar os olhos do espelho.
Ela se aproximou da pia ao lado, abriu a torneira e passou água nos pulsos com uma calma desconcertante. “Notei que você também notou a gente.”
Não tinha como negar sem mentir. “Notei.”
Ela me olhou diretamente agora, sem o espelho no meio. “Meu marido e eu temos uma pergunta”, disse ela, e havia uma leveza no tom que tornava o que estava prestes a dizer simultaneamente absurdo e completamente natural. “Você quer terminar a noite no nosso apartamento?”
O silêncio que se seguiu tinha textura.
“Costumam abordar desconhecidas em banheiros de bar?”, perguntei.
“Não costumamos”, ela disse. “Mas você não parece uma desconhecida.”
Fiquei olhando para ela por alguns segundos. Depois guardei o batom na bolsa.
“Como ele se chama?”, perguntei.
“Rafael.” Uma pausa. “Eu sou a Clara.”
“Marina”, eu disse.
E saímos juntas do banheiro.
O apartamento deles era exatamente como eu imaginava, organizado sem ser frio, com livros de verdade nas estantes e uma garrafa de vinho já aberta sobre a bancada da cozinha, como se soubessem que voltariam acompanhados. Rafael nos recebeu sem surpresa e sem pressa, serviu três taças e ficou encostado na bancada enquanto Clara e eu nos sentávamos no sofá. Havia algo curiosamente doméstico naquele momento, e foi exatamente esse contraste que deixou tudo mais quente.
Clara virou para mim com a taça ainda na mão e disse, baixinho: “Posso te beijar?”
A educação daquele pedido me desarmou completamente.
O beijo começou devagar, quase tímido, como duas pessoas que estão se apresentando pela segunda vez. Ela cheirava a algo floral e a vinho, e a boca dela era macia de um jeito diferente, tinha uma atenção naquele beijo que eu não soube nomear, apenas receber. Quando nos afastamos, olhei para Rafael. Ele não tinha se movido da bancada, mas a expressão havia mudado, uma concentração quieta, intensa, que era por si só excitante.
Clara foi a primeira a se levantar. Conduziu minha mão e me levou ao quarto.
O que veio a seguir foi sutil por escolha das duas. Não existia pressa, não havia roteiro. Ela desabotoou meu vestido enquanto eu soltava o coque que me intrigou a noite toda. Tirei o vestido verde dela e fiquei alguns segundos admirando aqueles peitos, antes de ela mesma tirar o sutiã. Beijei seu pescoço enquanto deslizava a mão pelos mamilos dela. Ela me olhava com um ar de deusa, dona e de safada. Sua mão deslizou até a minha buceta e ela pôde perceber o quão molhada eu estava. Ela fazia um carinho leve, para me provocar. Era tudo instintivo, recíproco, construído em tempo real. Ela sabia onde colocar a mão antes de eu pedir. Eu sabia onde colocar a boca antes de ela guiar.
Ela foi descendo devagar, tirou a minha calcinha. Sorriu e beijou a minha buceta. Ela passava a língua em cada pedaço da minha virilha, lambia minhas coxas e me excitava antes mesmo de me chupar. Em algum momento, Clara alcançou a mesinha ao lado da cama. Tirou de lá um pequeno bullet, o Bullet Pulse, e o colocou na minha mão com uma naturalidade de quem sabe exatamente o que está oferecendo. Liguei na primeira intensidade e ela foi guiando meus movimentos, passando o Pulse pelo meu corpo e observando minhas reações. Quando eu fechava os olhos e prendia a respiração, ela tinha entendido o lugar certo e simplesmente o mantinha ali. Quando eu estava quase lá, ela parou.
Foi então que Rafael entrou.
Ele não precisou de convite, havia um entendimento naquele quarto que dispensava palavras. Ele chegou devagar, só de cueca e pude perceber o volume que ele tinha ali dentro. Me beijou com carinho e deu continuidade ao fluxo perfeito que Clara conduzia. Me chupou devagar, depois intercalava lambidas mais suaves e mais rápidas por toda minha buceta. E o que se seguiu ali foi a soma das três presenças: a boca dele, as mãos dela, e o Pulse entre nós.
Rafael pediu para que eu ficasse no meio deles dois, de costas para ele e de frente para Clara. Ela me olhou e perguntou se eu estava à vontade. Apenas respondi “nessa noite, sou de vocês dois”. E ele então colocou a camisinha e meteu o pau devagar. Enquanto eu sentia ele deslizar para dentro de mim, cada vez com mais força, Clara me beijava, passando o Pulse pelos meus peitos até chegar no meu clitóris. E num movimento quase ensaiado, Rafael dosava a força enquanto Clara comandava as vibrações. Não demorou muito e eu gozei.
Não sei que horas eram quando adormeci.
Acordei com a luz do apartamento ainda acesa e Clara dormindo a alguns centímetros de mim, os cabelos finalmente soltos sobre o travesseiro, exatamente como eu tinha imaginado que seriam. Rafael estava na poltrona do canto, acordado, com uma taça de vinho na mão, me observando.
“Bom dia”, ele disse, em voz baixa.
Olhei para Clara, que abriu os olhos. Depois para ele.
“Ainda é noite”, respondi.
Sorrimos. “É.”
E nenhum de nós três fez menção de voltar a dormir.
Escrito por Paola Q. exclusivamente para Désir